Hoje quero partilhar esta solução que encontrei para realçar, ainda mais, alguns dos haemanthus que estão em flor no jardim. Peguei em alguns seixos de mármore, que esculpi há algum tempo, e assim resolvi provisoriamente a ausência das folhas na planta. São seixos em que o motivo esculpido são folhas, uma em cada pedra, e que considero as folhas eternas do jardim... Penso ter encontrado uma forma de aumentar ainda mais o impacto deste recanto, pois a cor branca do mármore aumentou o contraste da cor laranja/vermelha da flor. Após a morte das flores, as pedras serão retiradas para dar lugar às verdadeiras folhas. Uma outra ideia que me ocorreu foi instalar um pequeno projector de luz, de forma a iluminar este conjunto à noite. Acho que vai resultar muito bem...
Acho que sou um respigador moderno... Não tenho uma profissão definida, não tenho colegas de trabalho, e vivo dos pequenos prazeres do dia-a-dia, difíceis de explicar. Tudo o que faço é feito com paixão e total entrega àquilo que, para muitos, não tem qualquer valor. Gosto de criar os meus jardins secretos, reciclando, sempre que possível, plantas e outras coisas que vou encontrando no meu caminho. Agradeço a visita daqueles que queiram partilhar das minhas paixões...
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Flores de Setembro
Estas são as duas plantas que estão em flor neste momento, ambas oriundas do Sul de África, e pertencentes à família dos amaryllis (Belladonas e haemanthus coccineus). São plantas de bolbo que desaparecem por completo da superfície durante a estação mais quente, e a floração é o primeiro sinal de vida após este período. Só depois, quando estas morrem, surgem as folhas, que se mantêm até à primavera seguinte. Esta planta é conhecida em algumas regiões do nosso país como "meninas vão para a escola" por surgirem em Setembro. Os bolbos destas e outras plantas, durante o período de dormência, não devem ser regados.
Os mandacarus da Quinta dos Reis em Alcantarilha
Hoje colhemos os frutos deste cacto, conhecido no Nordeste Brasileiro como mandacaru (Cereus peruvianus). Este clima do Algarve permite o cultivo de muitos destes frutos com sabores exóticos e, neste caso, é mais um daqueles sabores difíceis de descrever. Diria que sabe a mandacaru...
domingo, 18 de setembro de 2011
23 romãs dão as boas vindas a Setembro
É uma pequena árvore carregada de encantamento... Foi plantada há 5 anos e, este ano, brinda-nos à chegada à Catita com 23 belas romãs (a pobre, quase não pode com o peso). Motivo mais do que suficiente para organizar uns belos almoços no local, com direito a sobremesa de romã. Como sou da opinião de que a fruta deve ser consumida o mais fresca possível, aqui fica mais uma sugestão: se tiverem hipótese, plantem uma no jardim, o mais próximo de um local de refeições, pois além de ser ornamental, produz fruta e é de muito fácil manutenção (durante o Verão basta uma rega por semana).
sábado, 17 de setembro de 2011
Será isto uma batalha perdida?
Este é o famoso escaravelho-vermelho das palmeiras, do qual se tem falado muito ultimamente, infelizmente pelas piores razões: é responsável pela morte de muitas centenas de palmeiras da espécie Phoenix canariensis no Algarve. Todo começou há cerca de 4 anos com a importação de palmeiras provenientes do norte de África, que chegaram em contentores ao concelho de Albufeira. Rapidamente, todas as árvores que se encontravam ao longo da EN125 foram atacadas, e em poucos meses morreram.
O Rhynchophorus ferrugineus, nome científico do bicho, até há pouco tempo estava restrito ao Sul do país e a este tipo de palmeira. Mas ontem confirmei o que há muito receava: as palmeiras de leque (Washingtonia filifera) também são alvo do apetite voraz do malvado bicho, que se reproduz às centenas (calcula-se que uma fêmea deposite até 500 ovos, suficientes para matar uma palmeira adulta).
Foi com alguma revolta e tristeza que encontrei estes escaravelhos, em todas as suas fases de desenvolvimento (larvas, casulos e adultos), a devorarem o interior do tronco, junto à raiz. Hoje fiz a pulverização da árvore, e espero sinceramente que não seja tarde de mais.
Apesar de existir tratamento para prevenir e combater esta praga, penso que estamos perante uma guerra perdida, que vai levar a uma mudança rápida da paisagem da qual estas palmeiras há muito fazem parte.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Será que tenho coragem de polinizar este?... ;-)
É claro que estou a brincar. Só gostaria de dedicar esta foto a todos os que visitaram e comentaram as últimas publicação neste blog e, já agora, um bom fim de semana.
Este impressionante senhor cacto cresce num pequeno pátio, aqui em Pêra, e idade é coisa que não lhe falta.
Este impressionante senhor cacto cresce num pequeno pátio, aqui em Pêra, e idade é coisa que não lhe falta.
Bem haja a todos.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Foi interessante acompanhar o crescimento...
Esta suculenta é uma trepadeira que plantei junto ao muro do estacionamento da Catita. Como é uma planta com picos, pensei que seria interessante usá-la como cerca viva, e encaminhá-la sobre o topo do mesmo.
Ontem à noite foi um momento muito especial, e confesso que durante as duas últimas semanas não pensava noutra coisa: o poder assistir in loco ao desabrochar das flores que, tal como as dos cactos, só duram uma noite. É, de facto, curioso como a Natureza cria uma flor tão bela, grande, mas também tão efémera, e que poucos vêem, visto que abre sempre durante a noite... Na manhã seguinte, já está murcha.
É uma planta que gosta de regas diárias e de terra fértil, embora sobreviva à seca e sendo de climas tropicais, não pode ser cultivada em regiões frias. Espero que a polinização feita ontem possa dar frutos, e que frutos! A pitaya-vermelha, embora oriunda da América tropical, é muito cultivada no extremo oriente e conhecida por lá como fruta-do-dragão, e da qual tenho muitas memórias.
Vamos ver se este ano dá fruto... A flor já murchou, como podem ver na última foto, e já não dá para repetir a polinização.
Se alguém quiser, posso arranjar estacas.
Uma bela noite para polinizar
É uma das mais belas flores e finalmente abriram. Uma noite quente de lua cheia, e flores de pitaya vermelha há muito esperadas. Não podia estar mais feliz! Passei as últimas horas a polinizá-las e a contemplá-las.
Amanhã publico um segundo grupo de fotos com mais informação sobre esta planta e os seus frutos-do-dragão. Uma boa noite a todos os que visitam este blog.
domingo, 11 de setembro de 2011
Casa tradicional algarvia
Antes que desapareça da paisagem por uma ou outra razão, ficam aqui algumas fotos que fiz ontem deste belo exemplar de arquitectura tradicional algarvia, da primeira metade do séc.XX. De estilo art-déco, esta casa está localizada fora da povoação de Boliqueime e, apesar do seu pequeno tamanho, refira-se a existência ao nível do telhado, de uma açoteia (em tempos esta servia, entre outras coisa, para a secagem de frutos); uma curiosa chaminé, em que a torre da igreja local serviu de inspiração, e junto desta, um pequeno mirante, de onde se tem uma vista dos campos em redor e da vila. Todos os pavimentos interiores são em mosaico hidráulico, outrora muito comum por cá.
Adoro estas casas, e fico triste quando as encontro neste estado de conservação.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A flor do espargo
As espargueiras fazem parte da paisagem algarvia, e é nesta altura do ano, após um longo Verão quente e seco, que acontece a sua intensa floração. O pequeno arbusto cobre-se de um branco perfumado com alguns milhares de flores, quando tudo à sua volta está seco. Os espargos, esses, só vão surgir no fim de Novembro. A planta da foto tem 1 metro de altura e algumas dezenas de anos, e é este tipo de planta que produz o espargo selvagem muito usado na cozinha aqui no Sul.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Salmoura para as azeitonas
Após 10 dias, a azeitona já perdeu muito do sabor amargo que a caracteriza e tornou-se comestível. Este é o momento de preparar a salmoura que irá conservá-la. O processo é simples e rápido: para o efeito é necessário água (se possível de nascente ou engarrafada), sal marinho, e para acrescentar algum sabor extra, tenho por hábito usar alguns dentes de alho esmagados, louro, nêveda (uma erva aromática com um aroma mentolado, muito comum no nosso país e pertencente ao grupo das hortelãs e urtigas), e algumas rodelas de limão. A nêveda também é conhecida como erva das azeitonas.
A quantidade de sal necessária corresponde a, mais ou menos, um bom punhado por litro de água. Para se conseguir a concentração correcta, tradicionalmente é usado um ovo fresco como indicador de salinidade. Após dissolver-se muito bem o sal com a ajuda de uma colher de pau, coloca-se o ovo no preparado. Este deve-se manter à superfície, caso contrário é preciso juntar-se mais sal. Alguns dias mais tarde, provam-se as azeitonas e será o gosto de cada um a determinar se já estão prontas a ser comidas.
As azeitonas britadas e temperadas assim são-no para consumo imediato, e não se devem conservar por longos períodos. Para estes casos, mais tarde apresentarei outras técnicas..
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Um vaso para planta suculenta
Após um belo almoço entre amigos, tive necessidade de ir até ao meu "ginásio" favorito. Desta vez, fui munido de maceta e cinzel e desloquei-me a um cerro próximo de Messines, com um objectivo em mente: encontrar uma bela pedra que, depois de trabalhada, servisse de vaso para uma planta suculenta. O difícil foi escolher uma entre tantas, pois todas elas eram fantásticas. Este grés vermelho é muito fácil de trabalhar e como é uma rocha muito porosa, absorve muito bem a água, e que permite transformar as pedras em vasos muito originais para este tipo de plantas. Depois é normal ficar sem saber se o que atrai mais é a pedra ou a planta. Penso que se trata aqui de um "casamento" perfeito...
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Os miminhos da Catita
Os hóspedes que a Catita recebe durante o Verão, e que rapidamente se tornam amigos, normalmente são convidados a levar algo que os faça recordar os dias de férias passados na casa. Foi o que aconteceu com os García, de Espanha. Agrada-me imaginar que um pedacinho do jardim da Catita vai viajar até bem perto de Madrid, graças às diversas plantas que esta família de amigos levou, e das quais apenas se vê uma pequeníssima amostra na foto. Suculentas, papiros, diversos bolbos, clívias e até uma bromélia foram oferecidos, e recebidos com um sorriso de grande felicidade. Excepto, talvez, o sorriso do Julian, que já não sabia onde enfiar as plantas no carro... Brincando, dizia que a sogra talvez tivesse de ficar no Algarve...!
Sinto sempre uma grande necessidade de partilhar, e é com muita satisfação que o faço, especialmente quando quem recebe o faz de coração, provando que são pessoas muito especiais. Estas ofertas são um pequeno mimo, simpático, e que vão certamente prolongar as memórias que estas pessoas levam do Algarve.
domingo, 4 de setembro de 2011
Uma bela cerca viva
Esta planta é oriunda de Madagáscar onde é muito utilizada para fazer cercas em espaços rurais. Esta coroa-de-Cristo, como também é conhecida, faz parte precisamente das plantas que tenho na cerca da Catita, mais precisamente sobre a porta principal de entrada do espaço. É claro que a função principal é apenas ornamental, pois uma das características da mesma é uma floração colorida e contínua ao longo do ano. É mais uma das eufórbias de muito baixa manutenção existentes no jardim e que eu, há alguns anos atrás, recolhi da beira da estrada, junto a um caixote do lixo.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
As "estrelas" peludas do jardim
É a segunda vez este ano que esta suculenta está em flor. O seu tamanho, e aspecto, faz dela a mais curiosa do jardim, neste momento. Estas plantas carnudas são oriundas do sul de África, e existem cerca de 45 espécies, das quais a Catita tem 4. Uma característica da flor é um leve odor a putrefacção, pois os insectos responsáveis pela polinização são normalmente as moscas. Quando comparada com a planta, o seu tamanho é enorme.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Adeus mês de Agosto, até para o ano...
Aí estão elas, as princesas do momento, as pequenas e encantadoras flores brancas das nossas cebolas-albarrãs. Todos os anos, e durante este período, após um longo Verão seco, lá estão elas no jardim, dando um ar da sua graça, e adivinhando o aproximar de mais uma estação e, com isso, uma nova fase no jardim da Casa Catita.
Uma curiosidade: penso que as do Algarve são as últimas a florir. No início deste mês, estive em Coimbra, onde constatei que as cebolas-albarrãs já estavam floridas, assim como os lírios beladona, enquanto que aqui só agora estão a florir. Com muitas outras plantas, dá-se precisamente o inverso.
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