quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mais uma visita a Tânger










Gosto muito desta cidade marroquina e, sempre que posso, faço-lhe uma visita rápida, normalmente de dois dias. A viagem é feita de carro até Tarifa, no Sul de Espanha, onde apanho o ferry até Tânger. Tão perto do Algarve e, ao mesmo tempo, tão exótica. Sem dúvida, um sítio muito interessante para passar um fim de semana. Sou um eterno apaixonado pelo rico artesanato produzido por este país, e pelas muitas semelhanças culturais com a região algarvia. 
Hoje, e durante os próximos dias, vou mostrar e partilhar algumas fotos e experiências desta minha última viagem.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Azeitona do sal






Finalmente choveu no Algarve e, como é habitual, foi só durante a noite. Com as primeiras chuvas, vem a apanha da azeitona, seja para fazer para azeite, seja para fazer conserva. E esta tarde foi a vez de apanhar umas belas azeitonas maçanilhas biológicas, com a ajuda do meu amigo Luís, para fazer a famosa "azeitona do sal". Outrora todos os agricultores a faziam, e hoje já poucos utilizam esta técnica.
O processo é simples e passo a explicá-lo: é necessário um cesto de cana ou de vime, 1 kg de sal por cada 2 kg de azeitonas, e uma folha de palmeira ou de couve para forrar o fundo do cesto. As azeitonas e o sal devem ser colocadas por camadas. No final, o cesto deverá permanecer num local seco durante uma semana. Durante este período a azeitona irá desidratar. 
A etapa seguinte ficará para a publicação que farei no final desse período.
Este é um dos processos de conserva mais simples e mais curiosos que conheço, e é tipicamente algarvio.   

domingo, 23 de outubro de 2011

Judas e Santiago em Tavira...





A bonita cidade de Tavira é conhecida por possuir 37 igrejas, mas esta que fotografei próximo do castelo, mereceu a minha atenção. Não gosto do "banal" e sempre que encontro algo diferente, paro, observo, e muitas vezes, fotografo. 
Foi o que aconteceu enquanto admirava a fachada desta igreja dedicada a Santiago, o santo "mata mouros", e reparei que a fachada tinha um bonito medalhão esculpido em argamassa que representava este santo. Na parte superior do medalhão, onde está representada uma vieira, cresce uma árvore. Mas não é uma árvore qualquer: estamos na presença de uma árvore igual àquela na qual, segundo a tradição, Judas se terá enforcado. Será o resultado de uma vontade "superior", ou será antes um sinal da natureza e do seu poder de transformação? Neste caso em concreto, Judas, personalizado por uma árvore, parece ter entrado em conflito com Santiago, que se tornou santo apenas por matar mouros...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Não acredito em duendes... mas que os há, há!!!





Senti uma enorme alegria hoje, ao voltar a encontrar estes verdadeiros duendes do jardim. Em maio passado, publiquei algumas fotos da mãe e do ninho, e desde então, nunca mais tive o prazer de os observar, e cheguei mesmo a pensar que tinham sido levados pelo jardineiro do vizinho.
Parece que um deles terá morrido, pois só encontrei 3 dos 4 que constituíam inicialmente a ninhada. Estes meus amigos são muito importantes no jardim, pois consomem muitos dos insectos que, quando em excesso, podem ser prejudiciais, como é o caso do besouro que tem atacado as palmeiras. E como o jardim tem duas com esse problema, espero ter nestes 3 "duendes" uns importantes aliados nesta batalha...
Desde o momento do encontro que tenho andado com um sorriso na cara e logo, quando for para a cama, vou sentir um enorme prazer em recordar o momento...
Uma curiosidade: um deles parece não ter medo dos humanos e passou o tempo todo indiferente à minha presença. Será que é o mesmo que fotografei em maio na minha mão, quando ainda era bebé?
Se tiverem tempo, revejam essas fotos de Maio.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Acho que sou um sortudo...





Tento sempre ser um bom anfitrião,  proporcionando uma estada rica em experiências únicas, de forma a que os visitantes possam levar memórias de um Algarve pouco conhecido.
Gosto de partilhar as minhas pequenas e simples paixões. Confesso que sou uma pessoa impulsiva e fujo da monotonia. Sempre que posso, gosto de descobrir o que há de mais genuíno por cá, e da mesma forma que me encanto, tento  transmitir e encantar os turistas que nos visitam, com os saberes e sabores, a História, a arquitetura, as tradições, os lugares e lugarejos do interior, que nada têm a haver com o tão conhecido litoral.    
A nossa simplicidade, infelizmente cada vez menos comum, a nossa generosidade, são sem dúvida bons cartões de visita que facilmente cativam.
Frequentemente, quem chega à Catita, normalmente entra como hóspede ou visita, e sai como amigo que sente vontade de voltar. E hoje foi o dia da saída dos nossos mais recentes amigos, Deirdre e Michael, que vieram da Austrália, para conhecer o tão colorido Outono do Algarve, ficando a promessa de regressar em 2013.
Ainda mal saíram e já ando a pensar no que fazer com eles na próxima vinda a Portugal...

sábado, 15 de outubro de 2011

E como são belas, estas romãs!


Tenho algumas romãzeiras que foram plantadas por pássaros, numa pequena horta que era do meu avô. Outrora era um laranjal que, após a sua morte, ficou ao abandono. Todos os anos carregam de belos frutos sem qualquer rega, sendo quase frutos selvagens.
Hoje, ao passar por lá, apanhei estas fantásticas romãs, que são apenas uma pequena parte da generosidade destas árvores. A vontade de as apanhar veio com o almoço: os amigos australianos que estão de férias na Catita trouxeram, para acompanhar o peixe, uma bela salada feita de cominhos, vários legumes e frutas, entre as quais muitos e doces bagos de romã. Uma delícia!

Bom fim de semana

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cores quentes de Outono









Estas são algumas das cores de momento no Algarve, que parece não querer dizer adeus ao Verão.
A luz do Sol,  este céu azul e o clima Mediterrânico, fazem desta região um sitio fantástico para se viver ao ar livre, durante a maior parte do ano. No Algarve, é possível cultivar plantas provenientes de quase todas as regiões climáticas do mundo, mas parece que só os estrangeiros residentes é que sabem disso. Normalmente, salvo raras exceções, claro, os mais belos jardins que podemos encontrar por cá pertencem quase sempre a alguém que não fala Português, o que é pena. Às vezes, penso que o problema reside no facto de não termos a capacidade de apreciar o que é belo e natural, e que estas "coisas" de jardins são uma perda de tempo...
Tenho assistido a situações muito estranhas de corte e podas radicais de belas árvores e plantas, por razões tão estúpidas como "estava a fazer muito lixo" ou ainda "tapava a vista da casa". Normalmente, fico triste e penso como diferente seria o Algarve se nada disto acontecesse.
Ao contrário de outros povos, que sentem um orgulho e um enorme prazer no seus jardins, por cá, parece acontecer precisamente o contrário. O mais importante é mostrar a casa, e o jardim, que deveria ser a moldura da mesma, é olhado como algo supérfluo.    
Hoje, ao admirar todas estas belas cores de Outono, senti vontade de partilhar, com  os seguem este blog,  aquilo que me vai na alma. Espero não me arrepender deste desabafo...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Lixo! Onde?




Aqui estão as minhas últimas descobertas do lixo. E, com um pouco de paciência e algum trabalho, são perfeitas para ornamentar até os jardins mais "chiques".
Passo a descrever o lote: um belo cadeirão em bambu, em perfeito estado de conservação, um banco para os pés, a necessitar de uma pintura branca, dois belos troncos de yucca, que só precisão de ser plantados, e por fim 8 janelas que há muito procurava, e que irão fazer parte de dois orquidários móveis. E ainda dizem que lixo é lixo...

domingo, 9 de outubro de 2011

Yucca da Catita




Hoje encontrei uma foto de 2004 que mostra a última fase da recuperação da casa, e onde é visível uma estaca de yucca plantada nesse ano. Sempre que passo junto dela, recordo o dia em que foi encontrada no lixo, sem raízes, e fico sempre impressionado com o seu crescimento.
Ao longo destes anos, poucas foram as regas necessárias e o único trabalho tem sido a remoção das folhas, duas ou três vezes por ano.
Volvidos 7 anos, não seria fácil imaginar o jardim sem ela, embora reconheça o seu poder demolidor. Talvez por isso haja cada vez mais yuccas cortadas junto ao caixote do lixo.

sábado, 8 de outubro de 2011

Jardim das Horas







Foi um excelente dia para limpar o pó a alguns dos meus relógios antigos e, porque não, decorar o jardim por algumas horas. Um pouco excêntrico, talvez...  
Gosto muito de colecionar todo o tipo de velharias, e estes velhos relógios americanos são a prova disso. Acho que, por vezes, perco a noção de espaço e é frequente entrar em conflito com a família e amigos a esse respeito. Não só já transformei a minha casa em "armazém" como, sempre que posso, utilizo os outros espaços disponíveis para armazenar as minhas coisas velhas, achando sempre que, talvez um dia, possam ser úteis em algum dos meus projectos projectos.  
Assim foi com estes relógios em que, a certa altura, até a casa de banho "dava horas". Felizmente, muitos deles estavam avariados. Hoje, parte da colecção permanece nos E.U.A, outros estão em Sintra e estes estão aqui no Algarve.

Tenham um bom fim de semana.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Deve ser um prazer regressar a casa...



Esta buganvília consegue reunir duas características que eu aprecio nas plantas: uma floração intensa e a folhagem variegata. Confesso passar, muitas vezes de propósito, junto desta casa em Pêra, só para poder admirá-la, e até já plantei uma igual na entrada da Catita, na esperança de um dia recriar um cenário semelhante. Uma das vantagens desta variedade é ser bastante colorida e alegre, mesmo durante o Inverno, e após perder a maioria das "flores".
É, sem dúvida, um  apontamento de bom gosto nesta rua e, já agora, os meus parabéns ao proprietário.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A mesma planta, um ano depois.



Mais dois bons exemplos da capacidade de recuperação das plantas. Estas duas suculentas foram encontradas junto ao lixo há um ano atrás, com muito mau aspecto, como pode ser visto nas duas primeiras fotos do lado esquerdo. Após alguns meses no "hospital", transformaram-se radicalmente, e hoje, ninguém diria que são as mesmas plantas. Esta recuperação surpreendente é uma das maravilhas da natureza e da qual gosto de fazer parte. Tenho um prazer enorme em recolher plantas que vão surgindo no meu caminho, na maioria das vezes em mau estado, e dar-lhes facilmente uma vida nova, bastando para isso terra adequada, alguma água e mais ou menos luz solar. É fácil e gratificante.    
A primeira suculenta é um Graptopetalum  paraguayense , e a segunda é um Kalanchoe marmorata.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

As metamorfoses das suculentas



Estou cada vez mais rendido ao incrível mundo das suculentas, e à capacidade destas de resistir a longos períodos de seca. Sou muitas vezes criticado por uma amiga, no que respeita às regas que faço (normalmente poucas durante o Verão), porque segundo ela, devia regar mais vezes o jardim. Entramos em confronto com muita facilidade, pois sou da opinião de que as plantas são mestras na sobrevivência, e um bom exemplo disso são as suculentas.
Por outro lado, acho que é um pouco monótono exibir plantas que tenham o mesmo aspeto ao longo do ano. Confesso gostar da sazonalidade de um jardim e das transformações incríveis que plantas sofrem, mediante a exposição solar, a temperatura ou ainda a humidade. No caso de jardins xerófilos, em que as plantas ficam como que adormecidas e muito secas,  mal começa a chover assistimos quase a um milagre da vida. Estou ansioso por assistir a este milagre, mas parece que este Verão não quer terminar este ano. Tal como as minhas plantas, até eu já sinto a falta da chuva.
As duas primeiras fotos são da mesma planta, um Aeonium arboreum, e o seu aspeto de Inverno e de Verão. E a segunda planta é um Kalanchoe thyrsiflora, e o que é interessante, neste caso, é a luz solar, que faz a planta tornar-se muito vermelha quando plantada ao Sol.

sábado, 1 de outubro de 2011

Uma bela e impressionante palmeira.




Se há uma palmeira que não deixa ninguém indiferente, será esta Bismarckia nobilis de Madagáscar. Gosto muito de palmeiras, e confesso ainda não ter perdido a esperança de um dia plantar uma destas no jardim, embora reconheça que não tenho um espaço adequado para esta "escultura" viva. 
Gosto de imaginar que um dia terei uma casa em forma de moinho, construída em pedra, com um terraço panorâmico e, em redor desta, um círculo de sete palmeiras bismarckias. Mas como o Algarve está infestado de escaravelhos esfomeados por palmeiras, o mais certo será, em vez de palmeiras verdadeiras, optar por de umas plástico... Estou a brincar, mas a verdade é que esta praga está incontrolável no Sul do país, e vamos seguramente assistir a uma mudança rápida na paisagem, da qual as palmeiras faziam parte, e acho que nem a nossa palmeira anã europeia vai escapar. Este insecto parece trazer com ele um atestado de óbito para todas as palmeiras no nosso país... É tudo uma questão de tempo, o que é assustador!
As fotos foram tiradas num dia de frio, em Orlando.

Um bom fim de semana