quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um jardim de pernas para o ar





Com o outono, vem a queda de folhas, e em jardins com muitas árvores de folha caduca, isso significa trabalho extra. Todos os anos, no principio de novembro, e para evitar folhas espalhadas por todo o jardim, faço uma poda, de forma a remover ramos ainda com folhas agarradas, sobretudo nas videiras e árvores de fruto.
Nos últimos dias, tenho conseguido deixar o espaço num caos aparente, pois, para além das podas habituais, também resolvi baixar a altura da sebe. Há já dois anos que o tencionava fazer, e finalmente tive a coragem que precisava. Conclusão: muitas vão ser as carradas de ramos a remover da Catita. Só as folhas das figueiras, nespereiras e videiras é que são mantidas, num zona destinada à compostagem localizada na horta.
Esta é a minha forma de manter os vários espaços mais limpos, sem ter de andar constantemente de vassoura na mão.
No inverno, e antes da floração, será feita uma segunda poda, esta mais de formação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma excelente oportunidade para quem gosta...




Ainda não muito conhecido por cá, este agave Desmettiana variegata, é  um dos mais interessantes e ornamentais que conheço. Ao contrários de outros agaves mais comuns no nosso país, este é mais pequeno e é composto por folhas quase sem picos. São plantas muito resistentes à falta de água, e perfeitas para jardins rochosos ou de baixa manutenção. Uma curiosidade desta planta: após a floração que dá origem às sementes, estas germinam no espigão (neste caso, cerca de 2.50 metros de altura), e por lá continuam a crescer. Conforme crescem, vão desenvolvendo raízes e, assim que caem, enraízam rapidamente. Esta característica não é comum à maioria dos agaves. A queda acontece apenas com uma pequena vibração do pé, onde centenas de pequenas plantas competem por espaço.
  
Pois bem, através do Ludgero, tenho algumas dezenas de plantas que posso partilhar com os seguidores do blog. Terei todo o gosto de as enviar a quem solicitar.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Jardim suspenso de suculentas e fetos, um ano depois.





Cada vez mais pesado, este cesto dificilmente deixa alguém indiferente! Um ano depois, este mini "jardim suspenso", que se encontra pendurado por debaixo de umas nespereiras e totalmente à sombra, está cada vez maior e interessante. 
Quando o construí, utilizei algum musgo e terra que apanhei em Sintra que, sem o saber, trazia também mais duas plantas, um pequeno jarro e alguns fetos. Mal começou a chover, veio a surpresa... 
O cesto ficou mais composto e mais bonito, e como está na sombra, sobrevive apenas com uma rega semanal durante a época seca do ano.
As duas últimas fotos foram tiradas em setembro de 2010.

Quando a oliveira não é podada.


Nos países à volta do mediterrâneo, o azeite e a azeitona são a base da alimentação, por isso, poucas são as oliveiras que crescem naturalmente, sem podas ou enxertias.
O mais frequente, são árvores de pequeno porte, mesmo que tenham por vezes milhares de anos, para facilitar a apanha do fruto. 
Não é caso desta oliveira fotografada em Tânger, que terá uns impressionantes 20 metros de altura, com o meu amigo Ludgero a servir de escala. E se não fosse haver alguma azeitona no chão, teria dificuldade de a identificar, pois o seu porte em nada se assemelha as que conheço por cá.

domingo, 30 de outubro de 2011

Dia de ir ao "ginásio"






Com a chuva, vêem as primeiras sementeiras no Algarve, o que normalmente acontece mais cedo; mas com a falta de chuva deste ano, só agora comecei a semear as primeiras favas. Ontem foram semeadas mais umas quantas, e durante o próximo mês tenciono continuar a cavar os dois lados do caminho privado da Aroeira, em Messines, e semeá-lo com esta leguminosa.
O Algarve é a primeira região do país a colher favas frescas. No meu caso, gosto muito de cultivá-las ao longo deste caminho, com um pouco mais de 200 metros de extensão, que vai desde entrada da propriedade até à casa/ruína. Durante o inverno, as faveiras formam duas bonitas bordaduras. 
Esta é, também, uma boa maneira de queimar algumas calorias fazendo algo útil, mesmo que mais tarde não saiba o que fazer com tanta fava...
No final da plantação, ainda houve tempo para apanhar algumas goiabas e limas, que crescem na quinta ao lado, e que, curiosamente, utiliza estas árvores como sebe da propriedade, infelizmente desperdiçando a maior parte da produção, dado que sob estas árvores há tapetes de fruta no chão. Parece que não existe escoamento para o que é produzido cá, e só o importado é que é bom... O Marquês de Pombal já lutava contra a esta realidade, e volvidos alguns séculos, pouco mudou. Será que o que é nacional não presta?

sábado, 29 de outubro de 2011

Artes, saberes e sabores








E estas são as últimas fotos desta viagem, e que mostram um pouco do que se pode encontrar nas ruas de Tânger, uma cidade com cerca de 1 milhão de habitantes, em que o comércio é feito com produtos que vêm de outras regiões de Marrocos. 
Gosto muito de percorrer alguns locais desta cidade, e um deles é o mercado, onde já é um hábito fazer as minhas compras de especiarias, e da harissa, uma pasta de pimentão e outras especiarias, bem picante, de origem tunisina (perfeita para temperar qualquer cozinhado). Outra coisa que já é tradição, é negociar alguns metros de tecido e mandar fazer umas quantas almofadas. Neste caso, o tecido e a confeção ficaram a 3,5 euros por almofada (ficam sempre bem no jardim da Catita e o Natal está à porta...).
E, claro, para respeitar a tradição, comprei mais uma bela lanterna para a coleção. O meu amigo Ludgero ia-se perdendo nas compras, sobretudo nas últimas horas de compras, e ao Luís coube manter as rédeas curtas ao pessoal, recordando constantemente "olha que vais ter de carregar tudo isso até ao barco, e depois até ao carro".
As fotos não mostram toda a realidade social e cultural da cidade, porque "nem tudo são rosas". Para uma viagem destas, é sempre bom ir com um espírito muito aberto às diferenças culturais, por vezes algo chocantes para os olhos de um europeu.

Espero não ter chateado muito os meus amigos com estas fotos da minha última "caravana"... Bom fim de semana!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bons AMIGOS!










Esta é a casa dos nossos amigos em Tânger, Maité e Jean-Pierre. Charme e simpatia são as caracteríticas principais deste Riad tradicional, recuperado por este casal de franceses. Localizado na zona alta da velha medina, e com vista sobre a cidade e o porto, o riad Dar Sultan tem sido a nossa casa, sempre que pernoitamos na cidade. Descendo as ruelas estreitas e labirínticas, chegamos ao bazar onde nos esperam centenas de pequenos comerciantes, que tudo fazem para convencer o cliente a entrar na sua loja. E que lojas! Para quem gosta de artesanato, como eu, é sempre difícil resistir à tentação de entrar...
Para quem não conhece Marrocos, e tem algum receio de tal aventura, Tânger é sempre uma boa forma de superar tais medos, pois é bastante segura e fácil de descobrir.
Talvez um dia destes possa partilhar in loco esta minha paixão com alguns seguidores deste blog...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mais uma visita a Tânger










Gosto muito desta cidade marroquina e, sempre que posso, faço-lhe uma visita rápida, normalmente de dois dias. A viagem é feita de carro até Tarifa, no Sul de Espanha, onde apanho o ferry até Tânger. Tão perto do Algarve e, ao mesmo tempo, tão exótica. Sem dúvida, um sítio muito interessante para passar um fim de semana. Sou um eterno apaixonado pelo rico artesanato produzido por este país, e pelas muitas semelhanças culturais com a região algarvia. 
Hoje, e durante os próximos dias, vou mostrar e partilhar algumas fotos e experiências desta minha última viagem.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Azeitona do sal






Finalmente choveu no Algarve e, como é habitual, foi só durante a noite. Com as primeiras chuvas, vem a apanha da azeitona, seja para fazer para azeite, seja para fazer conserva. E esta tarde foi a vez de apanhar umas belas azeitonas maçanilhas biológicas, com a ajuda do meu amigo Luís, para fazer a famosa "azeitona do sal". Outrora todos os agricultores a faziam, e hoje já poucos utilizam esta técnica.
O processo é simples e passo a explicá-lo: é necessário um cesto de cana ou de vime, 1 kg de sal por cada 2 kg de azeitonas, e uma folha de palmeira ou de couve para forrar o fundo do cesto. As azeitonas e o sal devem ser colocadas por camadas. No final, o cesto deverá permanecer num local seco durante uma semana. Durante este período a azeitona irá desidratar. 
A etapa seguinte ficará para a publicação que farei no final desse período.
Este é um dos processos de conserva mais simples e mais curiosos que conheço, e é tipicamente algarvio.   

domingo, 23 de outubro de 2011

Judas e Santiago em Tavira...





A bonita cidade de Tavira é conhecida por possuir 37 igrejas, mas esta que fotografei próximo do castelo, mereceu a minha atenção. Não gosto do "banal" e sempre que encontro algo diferente, paro, observo, e muitas vezes, fotografo. 
Foi o que aconteceu enquanto admirava a fachada desta igreja dedicada a Santiago, o santo "mata mouros", e reparei que a fachada tinha um bonito medalhão esculpido em argamassa que representava este santo. Na parte superior do medalhão, onde está representada uma vieira, cresce uma árvore. Mas não é uma árvore qualquer: estamos na presença de uma árvore igual àquela na qual, segundo a tradição, Judas se terá enforcado. Será o resultado de uma vontade "superior", ou será antes um sinal da natureza e do seu poder de transformação? Neste caso em concreto, Judas, personalizado por uma árvore, parece ter entrado em conflito com Santiago, que se tornou santo apenas por matar mouros...