terça-feira, 15 de novembro de 2011

E assim seriam os frutos da minha polinização...



Há algum tempo atrás, tentei ser uma abelha e polinizar as enormes flores desta pitaya, mas acho que sou um fracasso... Tive esperanças de conseguir finalmente pôr as minhas plantas a produzir estes belos e saborosos frutos, mas ainda não foi desta.
Hoje, durante o dia encontrei agarrada a uma poste de iluminação, à beira de uma estrada próximo de Messines, uma pitaya que tinha alguns frutos. Parei e apanhei estes dois frutos, com o objetivo de os fotografar na casa Catita, numa espécie de fotomontagem, para mostrar como seriam se tudo tivesse corrido como esperava, após o trabalho de polinização.
O sabor do fruto é muito interessante, e em nada semelhante ao que podemos apreciar quando compramos o mesmo fruto importado.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A casa dos gatos pretos









Este conjunto de casas localiza-se no Algoz, Silves, e apesar do mau estado e abandono, ainda hoje não deixar ninguém indiferente. Gosto muito da combinação de cores que apresenta, e confesso que sempre que posso, elas são a minha opção quando preciso de pintar alguma parede. São cores quentes, que vão bem com jardins, e que proporcionam um bom contraste com o verde das plantas.
Quando penso que, não há muito tempo, as câmaras municipais queriam forçar os seus munícipes as pintar as novas casas de branco, com a justificação de que era a cor tradicional do Algarve, e agora olho para este conjunto, fico triste, pois quem decide tais tendências nada conhece desta região, que outrora foi tão colorida.    
Esta casa é um bom exemplo daquilo que acontece no nosso país, e sinto que só nos resta fotografá-las, pois, neste caso em concreto, mais ano menos ano, ela vai abaixo para dar lugar a um prédio que, acredito, tudo terá de feio.... 
Sorte dos gatos que habitam estas casas, cada um na sua janela e, por certo, conhecedores do interior, coisa que invejo. 

domingo, 13 de novembro de 2011

Suculentas em flor





Ter um jardim com suculentas é um privilégio, na minha opinião, e por várias razões. A sua resistência a longos períodos de seca é uma verdadeira lição de sobrevivência que me fascina, sobretudo a transformação fantástica que acontece logo após o início da estação das chuvas. As flores e as folhas variam muito de planta para planta, o que, mediante uma boa selecção de suculentas, permite que haja sempre muita cor e flor ao longo do ano. E, por último, e não menos importante e que não me canso de repetir, a baixa manutenção que envolve o seu cultivo; portanto, são só vantagens. Claro que tudo isto só é possível em climas temperados, e com invernos amenos sem geadas, como aconteceu no ano passado aqui no Algarve.
As fotos de hoje mostram as suculentas que estão em flor no jardim, nesta altura do ano. A primeira é uma echeveria que foi plantada a partir de uma folha, no início deste ano. Na segunda foto, são flores de uma stapelia hirsuta, na qual são bem visíveis os ovos brancos que as moscas deixam nas flores, porque confundem-nas com carne em decomposição. A planta, para conseguir convencer os insectos, neste caso moscas, a fazerem a polinização, liberta um leve aroma a carne podre. Claro que estes ovos apenas irão alimentar outros insectos, normalmente formigas. Por último, temos flores de um cotyledon barbeyi que terá uma floração continua até ao inverno.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O meu ajudante é um gato!





O Kikas tem sido o meu ajudante nestes últimos dias, no jardim da Quinta dos Reis. Para os donos da casa, ele é uma ela, mas como ele/ela não tem o hábito de responder pelo nome, acho que nunca ficou muito incomodado com a troca. 
O bichano, ainda jovem, passa grande parte do tempo a inspecionar o que vou fazendo, e acho ele que não gostou muito da utilização que eu dei às pedras brancas, pois foi difícil conseguir mantê-las à volta da bromélia... 
Acho que vou ter de arranjar outro ajudante mais intuitivo, e com  melhores modos! A sorte deste é eu ser um bom amigo da família...  
Bom fim de semana.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As amigas do polvo...




Umas das memórias que tenho, da casa dos meus avós maternos naturais do Algarve, é de duas enormes begónias que existiam junto das janelas dos quartos, que sempre conheci como "chuva de prata", e que quase tocava no tecto. Tocar no tecto era algo que nunca poderia acontecer, pois acreditava-se que o chefe da família poderia morrer se isso acontecesse, e por causa desta crença, ajudei várias vezes a cortar os ramos mais altos. Durante os anos da minha inocência, respeitei esta necessidade da minha avó e até cheguei a recear pela vida do meu avô. Oh, santa inocência!
A segunda begónia tinha uma folha mais recortada e era identificada como "chuvão", e nunca foi necessário cortar na altura. Sempre me foi explicado que a melhor terra para estas plantas de interior, era obtida no interior oco de velhas alfarrobeiras, e que era sempre bom manter alguma água no fundo do prato do vaso. Estas são algumas das primeiras memórias que tenho do Algarve e, graças a elas, anda hoje as cultivo, e respeito os ensinamentos dados pela minha avó.
As fotos mostram as flores (normalmente em cachos cor de rosa) da begónia conhecida como "chuvão", e originária de América do Sul, e a outra flor, com aspecto de um polvo, pertence a uma orquídea, Prosthechea cochleata, originária da Florida e, tal como a anterior, com floração igualmente contínua.
Gosto da combinação de ambas as plantas, tanto por partilharem o longo ciclo de floração, como pelo aspeto belo e estranho das suas flores. Uma curiosidade em relação às begónias: pensa-se que terão sido introduzidas em Portugal, durante o século XIX, com o regresso da corte do Brasil e, por razões climáticas, o Sul e ilhas foram as regiões onde foi possível cultivá-las. No Brasil, estas begónias também são conhecidas como asas de anjo devido ao formato das folhas.

Quero aproveitar para dedicar estas flores a todos os amigos deste blog, e em especial aos que têm deixado   comentários úteis e simpáticos, e que me deixam muito feliz. Através deles tenho conhecido pessoas muito interessantes, e que espero continuar a conhecer nos próximos anos.
Bem hajam a todos.   

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Azeitonas do sal, parte II



Tenho estas fotos para publicar já há alguns dias e, tal como prometi, aqui vai a informação que resta do processo de preparação da azeitona do sal.
Primeiro, quero pedir desculpas por eventualmente ter induzido em erro quem segue este blog.  Ao trocar informações com alguns amigos (mais algarvios do que eu...), fiquei a saber que as melhores azeitonas para o sal são as mais roxas ou as quase pretas, e devem ser lavadas antes da junção do sal. Daí não ter tido muito sucesso com as minhas belas azeitonas verdes :-(  Isto é o que acontece quando alguém da zona de Sintra tenta ser algarvio!
Mesmo assim, consegui umas quantas para exemplificar, e já tenho azeitonas novas, e mais adequadas, no sal. Será desta que aprendo?
Tradicionalmente, são mantidas no sal e, sempre que necessário, são retiradas umas quantas e lavadas em água quente ou fria. Também podem ficar de molho algumas horas, caso continuem salgadas. Tudo depende do gosto da azeitona e do paladar de cada um. Para servir à mesa, é feito um tempero com alho picado, azeite, vinagre, pimentão doce (colorau), salsa e cominhos. Há ainda quem acrescente rodelas de cenoura cozida. Mais uma das tradições, em vias de extinção, por terras do Sul!...  
Para terminar, recordo esta adivinha, em forma de uma quadra, que outrora toda a gente sabia, e que retrata bem a importância da azeitona, no que diz respeito à iluminação:

"Verde foi o meu nascimento,
e de luto me vesti,
para dar luz ao mundo
mil tormentos padeci."

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aqui mesmo ao nosso lado...











Um domingo excelente, passado em Sevilha, com visita obrigatória aos jardins do Real Alcazar (Património da Humanidade desde 1987). E que jardins! Esta monumental cidade é um encanto, e como fica a pouco mais de 200km de onde vivo, acaba por ficar mais próximo que Lisboa, com a vantagem de não existirem portagem na autoestrada, o que nos dias de hoje parece ser cada vez mais raro. Claro que aproveitei também para ir até ao Rastro Charco de la Pava (a feira da ladra local), para comprar algumas coisas "velhas". Confesso que gostei do que vi, e até gostei dos preços que paguei. Mas, no geral, há muito "lixo" à venda.    

sábado, 5 de novembro de 2011

Nova coleção outono/inverno...




Há alguns dias encontrei, numa ruína, este par de botas, e como acho que posso reciclar tudo o que eu encontro, lá vieram elas... A ideia não é original, mas é a primeira vez que "calço" um par de bromélias. Gosto do aspecto do conjunto, mas acho que vou dar cor ao par de botas. Que tal azul cobalto? Será uma boa forma de trazer o azul do muro para um qualquer recanto do jardim.
Gosto destes apontamentos um tanto ou quanto kitsch, pois acredito que um jardim vivo é também um jardim provocador...
Vivi durante algum tempo numa quinta na Nova Zelândia, onde muitas das botas de trabalho, que já não eram usadas, tinham sido transformadas em vasos, e estavam junto à porta de entrada da casa principal, formando um belo elemento de boas vindas...     

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mais uma casa tradicional algarvia






Cada vez mais raras, estas casas algarvias mostram bem o gosto e a originalidade de outros tempos. Não havia duas casas iguais. As fachadas e chaminés, muitas vezes ricamente decoradas, eram a melhor forma de mostrar o estatuto social dos seus proprietários. 
Estas eram verdadeiras "casas de fachada", em que os restantes lados eram normalmente muito simples e desprovidos de qualquer decoração. Nem pareciam fazer parte da mesma construção. 
Considero-as encantadoras, e fruto de um tempo e de um gosto, em que o individualismo de então fazia todo o sentido, e que infelizmente parece ser cada vez mais raro nos dias que correm...
No caso desta casa, construída em 1927, nunca conheci as portas e janelas originais, mas, pela qualidade das cantarias esculpidas em calcário da região, devem ter sido igualmente interessantes. É pena a falta de sensibilidade e respeito aquando da colocação da antena tv e as ligações à rede eléctrica. De certo foram opções de "bom gosto" das gerações mais recentes.
Tenho feito centenas de fotos do que há de mais típico no Algarve, que tenciono partilhar em dias de chuva, como o de hoje. Espero poder contribuir para divulgar um pouco daquilo que me apaixona  Espero conseguir mostrar o que ainda resta e me encanta nesta região, que ainda é possuidora de uma identidade tão própria.     

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um jardim de pernas para o ar





Com o outono, vem a queda de folhas, e em jardins com muitas árvores de folha caduca, isso significa trabalho extra. Todos os anos, no principio de novembro, e para evitar folhas espalhadas por todo o jardim, faço uma poda, de forma a remover ramos ainda com folhas agarradas, sobretudo nas videiras e árvores de fruto.
Nos últimos dias, tenho conseguido deixar o espaço num caos aparente, pois, para além das podas habituais, também resolvi baixar a altura da sebe. Há já dois anos que o tencionava fazer, e finalmente tive a coragem que precisava. Conclusão: muitas vão ser as carradas de ramos a remover da Catita. Só as folhas das figueiras, nespereiras e videiras é que são mantidas, num zona destinada à compostagem localizada na horta.
Esta é a minha forma de manter os vários espaços mais limpos, sem ter de andar constantemente de vassoura na mão.
No inverno, e antes da floração, será feita uma segunda poda, esta mais de formação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma excelente oportunidade para quem gosta...




Ainda não muito conhecido por cá, este agave Desmettiana variegata, é  um dos mais interessantes e ornamentais que conheço. Ao contrários de outros agaves mais comuns no nosso país, este é mais pequeno e é composto por folhas quase sem picos. São plantas muito resistentes à falta de água, e perfeitas para jardins rochosos ou de baixa manutenção. Uma curiosidade desta planta: após a floração que dá origem às sementes, estas germinam no espigão (neste caso, cerca de 2.50 metros de altura), e por lá continuam a crescer. Conforme crescem, vão desenvolvendo raízes e, assim que caem, enraízam rapidamente. Esta característica não é comum à maioria dos agaves. A queda acontece apenas com uma pequena vibração do pé, onde centenas de pequenas plantas competem por espaço.
  
Pois bem, através do Ludgero, tenho algumas dezenas de plantas que posso partilhar com os seguidores do blog. Terei todo o gosto de as enviar a quem solicitar.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Jardim suspenso de suculentas e fetos, um ano depois.





Cada vez mais pesado, este cesto dificilmente deixa alguém indiferente! Um ano depois, este mini "jardim suspenso", que se encontra pendurado por debaixo de umas nespereiras e totalmente à sombra, está cada vez maior e interessante. 
Quando o construí, utilizei algum musgo e terra que apanhei em Sintra que, sem o saber, trazia também mais duas plantas, um pequeno jarro e alguns fetos. Mal começou a chover, veio a surpresa... 
O cesto ficou mais composto e mais bonito, e como está na sombra, sobrevive apenas com uma rega semanal durante a época seca do ano.
As duas últimas fotos foram tiradas em setembro de 2010.

Quando a oliveira não é podada.


Nos países à volta do mediterrâneo, o azeite e a azeitona são a base da alimentação, por isso, poucas são as oliveiras que crescem naturalmente, sem podas ou enxertias.
O mais frequente, são árvores de pequeno porte, mesmo que tenham por vezes milhares de anos, para facilitar a apanha do fruto. 
Não é caso desta oliveira fotografada em Tânger, que terá uns impressionantes 20 metros de altura, com o meu amigo Ludgero a servir de escala. E se não fosse haver alguma azeitona no chão, teria dificuldade de a identificar, pois o seu porte em nada se assemelha as que conheço por cá.