domingo, 4 de dezembro de 2011

E assim é o fim do outono na Casa Catita









Gosto de decorar o jardim nesta altura do ano, e de utilizar bolas de Natal para adornar os bicos dos agaves que rodeiam a casa. É, sem dúvida, uma boa forma de me proteger das picadas dos "maganos". O fim do outono é um período muito colorido no jardim, em que o verde é matizado por laranjas, flores de nespereira, bocas-de-lobo (Antirrhinum majus) e muitas flores de medronheiro, assim como os primeiros botões de flor de amendoeira. As laranjeiras, com os seus frutos, são a versão exterior e viva da árvore de Natal, pois a de interior, é uma versão seca cujas folhas deram lugar a borboletas.
Todos os anos, a casa manda imprimir postais de Natal, e o deste ano tem imagens de romãs e flores de suculentas, com um ponto comum que é a cor vermelha. Serão enviados para os amigos da Catita que, ao escolherem-na para férias, estão a ajudar a manter o projeto.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Terceiro dia de construção






Hoje foi necessária a ajuda do carro, pois a pedra em questão até foi comparada a um "sovão" (termo usado outrora para designar um porco gordo). A construção deste jardim, que envolve pedras de várias proveniências, e com diferentes cores, mais a plantação que ocorre ao mesmo tempo, mostra bem a minha necessidade de ver trabalho feito. Mas o que me fascina mais, é todo o "bailado" e a forma como as pedras e as plantas parecem que sempre ali estiveram, fazendo parte de algo que vai sendo criado de raiz, mas que, logo depois, é como se já existisse há mais tempo.
Esta é a minha relação com as pedras, e o prazer que tenho, ainda hoje não o sei descrever, mas sei que o que sinto me deixa cansado e muito feliz.
No final do dia, ainda houve tempo para apreciar a magia e o calor do fogo, com uma queimada feita ali mesmo ao lado.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mais umas pedras, plantas e companhia.









E assim correu o último dia do mês. Pedra sobre pedra, rematada com algumas plantas suculentas, o jardim vai avançando, e até já teve direito a um comentário simpático da sogra do Ludgero, uma simpática algarvia de 74 anos que, ao olhar para o trabalho feito, diz "com um valado destes, até a figueira vai prozar" (sentir-se bem). Trata-se de um vocábulo que já não faz sentido para as gerações actuais, tal como todo o trabalho de canteiro que, orgulhosamente, teimo em executar em homenagem, talvez, aos meus antepassados, pois tenho um prazer indescritível em conseguir transformar pedras com as minhas calejadas mãos.
Ainda houve tempo para brincar com um dos "canitos", e apanhar as primeiras flores de aloé, que acabaram por fazer parte do refogado, e que serviu de base a um prato vegetariano do jantar. Este aloé de Natal, como se mantém em floração durante muito tempo, permite a apanha de flores diariamente, sem ser necessário o corte do pé da mesma.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Finalmente, a construção...








Hoje foi o primeiro dia da construção de uma parte do jardim do Ludgero. Este projeto irá ser quase todo construído à mão, ou seja, com reduzidas emissões de CO2, e com muito espaço para dar largas à imaginação, como eu gosto. Tudo será válido, e algo que gosto de fazer é avançar com a plantação, à medida que a construção vai avançando também. O descanso acontecerá sempre que o corpo pedir, portanto, terá um outro calendário que não o Gregoriano... ;-) Como o trabalho hoje foi pesado, acho que vou acordar amanhã com algumas dores no corpo, mas a noite, essa, vai ser muito bem dormida.
E enquanto uns trabalhavam, outros bebiam algum leite, para engordar, ao passo que eu, com o trabalho, espero começar a queimar as calorias que acumulei durante o verão!
O clima, este ano, parece ter antecipado a floração em algumas plantas, como é o caso das enormes poinsettia que estão plantadas junto à casa, mas também é verdade que o Natal está próximo...

domingo, 27 de novembro de 2011

27/11/2011 - Fado, Património Cultural Imaterial da Humanidade

Antes de ver/ouvir os vídeos, é favor desligar o som da minha Playlist...




Os frutos do folhado comum



Nesta altura do ano, o viburnum está carregado de pequenos frutos azuis. É um dos mais ornamentais arbustos que crescem em estado selvagem por cá, e que, infelizmente, é pouco usado nos nossos jardim, sendo uma excelente opção para sebes. A floração acontece em Janeiro e foi assunto já publicado neste blog.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Crisântemos e bromélias






Estas são algumas das flores com maior destaque nesta altura do ano. Há várias semanas que os crisântemos estão em flor e, nos últimos dias, começaram também a florir, mais uma vez, algumas das bromélias que existem na Catita.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Achado do dia: ninho de uma azeitoneira


Enquanto andava debaixo de uma oliveira a apanhar as últimas azeitona, encontrei este ninho que me parece ser de uma azeitoneira maçanilha, que normalmente faz as suas posturas de ovos nesta altura do ano. Acho que estes ovos vão dar azeite... Estes ninhos também têm sido encontrados noutras regiões do país, de acordo com o último programa que vi na National Geographic...! ;-)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tomilhos e espargueiras selvagens




Os tomilhos e as espargueiras são duas plantas muitos comuns no barrocal algarvio e, como tal, fazem parte da vegetação da quinta da Aroeira, localizada próximo de Messines, Silves.
Se alguém estiver interessado em conhecer o aroma do tomilho "bela luz" (primeira foto), o tal com aroma a cânfora e que gosto de usar em quase tudo, é só enviar um envelope almofadado, com portes pagos, para a seguinte morada: José Júlio Machado, Vales de Pêra, Cx. Postal 42, 8365-204 Pêra.
A segunda foto mostra parte da fachada da casa, hoje em ruínas, e que originalmente não tinha vidros nas janelas, apenas portadas em madeira; por outro lado, esta casa teve elaboradas cantarias em pedra, entretanto desaparecidas. Tenho encontrado por cá muitas casa antigas com este tipo de janela, e nem sempre associadas a construções mais humildes. 
A última foto mostra o aspeto das sementes da espargueira nesta altura do ano. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Necessária e merecida poda






Esta tem sido a minha ocupação nas últimas semanas: limpar o terreno - sobretudo cortar as muitas espargueiras (tenho uma relação amor/ódio com esta planta, que está para esta região como as silvas estão para o resto do país), que teimam em crescer por debaixo das árvores - podar e cortar os ramos mais envelhecidos das oliveiras e, por fim, apanhar as muitas azeitonas. Como o trabalho é todo manual, tenho dedicado um dia a cada árvore. Estas podas vão garantir um rejuvenescimento da árvore, e uma melhor produção em 2013,  pois as oliveiras e alfarrobeiras no Algarve têm uma produção bienal. E com o corte deste ramos, já garanti, também, a lenha que irei queimar nos próximos invernos.
Após a apanha, a azeitona é levada para um lagar em Messines, onde é processada. Normalmente, por cada arroba (15kg) entregue, recebo 1,5 l de azeite, com 1 grau de acidez. O azeite deste ano, tenciono aromatizá-lo com o mais aromático tomilho que existe por cá, e conhecido como "sal puro" ou bela luz, caracterizado por um aroma canforado, e engarrafá-lo em belas garrafas. Serão os presentes utilitários deste Natal para família e amigos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Coleção outono/inverno, parte II





O meu ajudante ouriço achou, e muito bem, que o que as botas não precisavam de cor, mas talvez um pouco mais de verde, e assim transformá-las em verdadeiros jardins ambulantes. Por vezes, gosto de  me descalçar antes de entrar em casa, e este par de botas pode perfeitamente decorar a entrada principal, e assim fazer companhia a outros pares de calçado...
Quando senti a necessidade de acrescentar algo mais às botas, tudo era válido, mas optei por estas suculentas aeonium castello-paivae, que tenho por hábito usar em plantações que faço nos muros, criando assim jardins verticais. Desta forma, consegue-se facilmente criar a ilusão da passagem do tempo, e é mais uma maneira de aumentar a área de plantação num jardim.
Voltando ao calçado: após os furos feitos, um por planta, com uma broca de madeira, e sem esquecer um furo na sola para escoar a água, usei podas desta suculenta com um pequeno pé, de cerca de 3cm de comprimento que rapidamente irão criar raiz.
Acho o resultado final interessante, e mais tarde serão mais uma curiosidade, das muitas que este pequeno jardim tem para mostrar.

sábado, 19 de novembro de 2011

O grande pavão noturno




Mais uma maravilha noturna encontrada no Algarve. Os cerca de 16 cm de envergadura fazem desta mariposa a maior existente no continente europeu, e é simplesmente fantástica. A decoração das asas, em que são visíveis quatro olhos, destina-se a afastar potenciais predadores, sobretudo aves noturnas. 
Diariamente não sei o que me espera neste meu jardim santuário, mas surpresas como esta deixam-me num estado de encantamento e felicidade por muito tempo. Por vezes estou triste, mas sei que basta entrar neste meu mundo para o qual tenho a chave da porta... Mil metros quadrados feitos à minha medida.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Canto do cisne.



                                                                                                                                                                                  Photo by Forest & Kim Starr

Este será o último ano de vida para o meu primeiro agave attenuata. Comprei esta planta em 1997/8 e, na época, paguei 2000$00, uma loucura! Veio depois de Sintra para o Algarve, após o meu regresso definitivo dos EUA em 2001. No ano seguinte, foi uma das primeiras plantas que coloquei na Casa Catita e, desde então, tem crescido, e dos rebentos que criou no tronco já consegui mais de 10 novas plantas.
Os agaves vivem muitos anos, e quando estão no seu melhor, lançam o espigão da flor, e morrem. Quando constatei que as folhas mais jovens tinham este aspeto de "pincel", não queria acreditar. Tinha chegado a hora! Neste momento, toda a energia que a planta armazenou ao longo dos últimos anos, vai ser usada para produzir um espetacular espigão, com mais de 2 metros de comprimento, cheio de flores, e semelhante a um pescoço de cisne que, aliás, é um dos nomes pelos quais este agave também é conhecido. É um momento verdadeiramente apoteótico na vida desta planta, que culmina com a sua morte. 
Tenho muitos outros agaves iguais, mas este será o primeiro que me vai permitir acompanhar de perto todo este processo. Mas tarde tenciono partilhar através de fotos todos os momentos deste "canto do cisne".
Resolvi colocar a última imagem para mostrar como pode ficar o meu agave, e como pode ser espetacular ter um canteiro cheio deles, coisa que também espero conseguir...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

E assim seriam os frutos da minha polinização...



Há algum tempo atrás, tentei ser uma abelha e polinizar as enormes flores desta pitaya, mas acho que sou um fracasso... Tive esperanças de conseguir finalmente pôr as minhas plantas a produzir estes belos e saborosos frutos, mas ainda não foi desta.
Hoje, durante o dia encontrei agarrada a uma poste de iluminação, à beira de uma estrada próximo de Messines, uma pitaya que tinha alguns frutos. Parei e apanhei estes dois frutos, com o objetivo de os fotografar na casa Catita, numa espécie de fotomontagem, para mostrar como seriam se tudo tivesse corrido como esperava, após o trabalho de polinização.
O sabor do fruto é muito interessante, e em nada semelhante ao que podemos apreciar quando compramos o mesmo fruto importado.