domingo, 10 de junho de 2012

300 km depois...






Hoje, finalmente, chegamos ao destino, o cabo de São Vicente. Este último setor 14 da Via Algarviana, com cerca de 17 km, teve como cenário as planícies do concelho de Vila do Bispo, e as belas falésias da costa atlântica, próximo do farol do cabo de S. Vincente. As imagens das falésias ficarão para outro dia. Terminou, assim, esta aventura, a de atravessar um Algarve rural e interior tão genuíno e pouco conhecido. Penso que hoje, posso considerar-me um pouco mais algarvio, e digno desta região que escolhi para viver... Foi uma viagem no tempo, cheia de cores, aromas e paisagens deslumbrantes, que me fizeram gostar ainda mais desta região.
Habituei-me a usar os domingos dos últimos meses nesta aventura "a penantes", e agora não sei o que fazer para ocupar os próximos... ;-) Pelo menos, vou voltar a dormir até às 9h, em vez de estar a fazer sandes às 6h30 da manhã!!

Aproveito para, mais uma vez, agradecer a simpatia e força dos comentários daqueles que me presenteiam com a sua visita ao blog. E não se preocupem, este estado de espírito é passageiro, é parte de um processo de vida, com altos e baixos criativos.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Quando termino um projeto...






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..normalmente, fico deprimido. 
Hoje, ao olhar para o resultado final, depois de muitas horas de trabalho, fiquei triste. Fico sempre com a sensação de que poderia ter ficado melhor, e os muitos momentos de alegria que tive durante esta construção, parecem já fazer parte de um passado distante...
Os vossos comentários, que recebi no blog, foram importantes e fizeram-me sempre sentir confiante, mas acho que sou uma criatura insatisfeita e teimosa, com a necessidade de tentar criar  harmonia ao meu redor, e de me sentir "abraçado" pelas minhas construções orgânicas. Gosto de me sentir protegido e envolvido por elas, como se de um santuário se tratasse, e reconheço que é algo muito pessoal. 
Hoje estou triste, mas amanhã sei que é outro dia... 

A colagem mostra a solução que encontrei para esconder alguns cabos elétricos do jardim. Rápido e barato, este vaso azul enquadrou-se muito bem no espaço, e finalmente dei uso a uma tampa de um vaso marroquino que comprei por 2 euros...

Por fim, a bela e grande borboleta monarca, originária da América do norte, e que possui um impressionante ciclo de vida, parece ter gostado do Algarve, pois o número destas borboletas tem aumentado todos os anos. Nos últimos dias, o jardim da Catita tem sido visitado por elas.  

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mestre Lúcio Zagalo de Estremoz








Com mais de cem anos de tradição no nosso país, o mosaico hidráulico está como que em vias de extinção.
Este fim de semana estive no Alentejo, em Estremoz, a convite de uns bons amigos do blog, e aproveitei para conhecer uma das últimas oficinas de hidráulicos.
O proprietário, o senhor Lúcio Zagalo, com 70 anos, é um dos últimos grandes mestres desta bela arte. Orgulhoso do que faz, ele foi-me explicando parte dos segredos associados à produção destes belos mosaicos. Penso que esta oficina possui quase todas as formas e padrões que, ao longo do séc. XX, decoraram muitas das casas um pouco por todo o país, e prova disso é o mostruário existente no local.
Fiquei com vontade de aprender esta arte...
Quero agradecer ao amigos que deixaram comentários no último post que publiquei. É sempre importante saber o que pensam.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cores fortes no jardim








Gosto muito de usar cores forte no jardim. O jardim da Catita possui muitas plantas autóctones, cuja floração ocorre, sobretudo, ao longo dos primeiros 6 meses do ano. Se não existissem algumas buganvílias e um ou outro loendro, o jardim seria muito monocromático durante o verão, mas, mesmo assim, não deixa de ser interessante...
Para compensar essa ausência de flores, mas especialmente de cor, tenho optado, ao longo dos últimos anos, pela pintura de alguns muros, criando bonitos contrastes com o verde das folhas.
Com a construção deste muro, tive a oportunidade de aumentar a privacidade no espaço, mas, mais importante, melhorei as condições do jardim. Agora, só falta pintar de azul as portas, a sua cor original, e duas cadeiras, para a área ficar pronta.
A última foto mostra a bela flor de uma pequena erva (Campanula lusitanica), que cresceu na calçada da Catita.

terça-feira, 29 de maio de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Setor 12, 30km entre Marmelete e Bensafrim





Embora tenha sido longa, esta última caminhada foi talvez, na minha opinião, uma das menos interessantes. Passamos por muitas pequenas casas perdidas na paisagem e completamente abandonadas, um sinal óbvio da vida dura associada a estas famílias noutros tempos. Mesmo assim, gostei de dar uma espreitadela a algumas desta ruínas e perceber como e em que condições estas gentes viveram as suas vidas. Junto ao caminho, um velho lagar de azeite com uma boa parte do recheio, uma verdadeira relíquia da arqueologia industrial. 
Infelizmente, a primavera no Algarve está a chegar ao fim e, com ela, o ciclo das flores autóctones. Talvez por isso este percurso da Via Algarviana não me tenha convencido...

sábado, 26 de maio de 2012

Um último olhar sobre o setor 11 da Via Algarviana






Estas fotos já estavam esquecidas, mas, como fazem parte de um dos mais belos percursos da Via Algarviana, e mostram uma realidade muito pouco associada ao Algarve, achei que fazia sentido partilhar com os amigos deste blog...
Amanhã é dia de mais uma caminhada, desta vez entre Marmelete e Bensafrim, mais 30km...
Bom fim de semana.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Limpeza de mosaicos hidráulicos




Se há algo que gosto de usar em pavimentos exteriores, são os velhos mosaicos hidráulicos que outrora eram usados nas casas algarvias, mas não só. Tenho recolhido muitos mosaicos em demolições e entulhos, pois acho que são uma excelente opção, quando combinados com a tijoleira manual feita em Santa Catarina, no concelho de Tavira. 
Pois bem, hoje deixo aqui mais uma dica: desta vez sobre como recuperar algum do brilho e das cores tão característicos destes mosaicos. Para isso, basta usar uma lixadeira e uma lixa para pedra. Rapidamente mudam de aspeto, como pode ser constatado pelas fotos. Este novo pavimento irá fazer a ligação do muro  que construí, ao pavimento da pergola já existente.
Deixo-vos com uma foto das primeiras flores do ano do jacarandá da Catita, dado que maio é o mês da floração destas árvores.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Maio é um bom mês para enxertar alfarrobeiras...




...e não só. As alfarrobeiras, ou alfarrobeirões, como são conhecidas antes de serem enxertadas, são uma das árvores mais comuns no Algarve, e provavelmente foram introduzidas pelos Romanos nesta região, há muitas centenas de anos.
Durante este mês, os agricultores locais procedem à enxertia das alfarrobeiras, e foi o que fiz esta manhã. As árvores que enxertei hoje foram plantadas há três anos e, como já estão bem enraizadas, estão prontas para receber o enxerto. Este basicamente consiste em remover um pedaço da casca e substituí-lo por outro do mesmo tamanho, de uma alfarrobeira adulta, e com um "olhinho".
Tenho no terreno um velha alfarrobeira muito produtiva, onde arranjei um ramo, de onde tirei 18 cascas com "olhinhos" suficientes para enxertar 6 árvores. Como este trabalho deve ser feito nas horas de menor calor, deixei as restantes árvores para outro dia. 
Com maio, vem também a necessidade de pulverizar as videiras, de forma a proteger as plantas e os cachos do míldio e do oídio, e durante as próximas semanas é algo que tenho de repetir de 12 em 12 dias. 
Por fim, fui ainda mostrar a um amigo, que infelizmente não conseguiu descer, um dos segredos mais bem guardados do Algarve...O ponto azul na foto é o meu amigo!