Gosto cada vez mais da ideia de cultivar no jardim plantas que, para além do seu valor ornamental, possam, em parte, ajudar a conhecer melhor o passado desta região. Da mesma forma que podemos falar de uma chaminé tipicamente algarvia, como o caso das que mostro hoje, e têm que em comum o facto de terem sido construídas nos anos 20, também aprendemos muito sobre as raízes culturais de uma determinada população pelo uso que faz das plantas locais.
Durante séculos, o trabalho com esparto (Stipa tenacissima) foi uma das principais atividades económicas, em muitas aldeias da serra e do barrocal algarvio. Esta planta, da família das gramíneas, cresce normalmente em terrenos pobres e incultos, e é muito resistente à falta de água, o que a faz perfeita para jardins de baixa manutenção. Também o seu passado, e a importância que teve na economia local, fazem dela uma planta quase obrigatória num jardim algarvio.
A segunda planta de hoje, com flores lilases, é a versão mais primitiva de um esfregão de panelas... As suas folhas, de textura aveludada, serviram, durante muito tempo, para ajudar no trabalho de limpeza dos utensílios na cozinha. A planta é conhecida por cá como "mariola" ou "marioila" (Phlomis purpurea). Usada num jardim, ao lado do esparto e de tantas outras plantas locais, permitiria uma abordagem à cultura, à história, às tradições desta região, servindo, igualmente, para as perpetuar.









