quinta-feira, 26 de julho de 2012

Julho na Catita







Julho é o mês em que os loendros carregam de flor, as uvas mudam de cor e tornam-se mais doces, algumas das yucas produzem enormes cachos de flores brancas, a alfarroba e as amêndoas ficam prontas para serem apanhadas e guardadas.
Este ano, e pela primeira vez, experimentei enxertar um ramo de um loendro e esta semana verifiquei que o enxerto tinha pegado. Pegando na minha ideia de enxertar uma figueira com as variedades todas existentes no Algarve, acho que irei fazer o mesmo com o loendro e, assim, tentar ter o máximo de cores num único pé. Acho que é uma boa solução quando existe falta de espaço no jardim.
Algo que ainda decora o jardim é o agave attenuata,  e a sua enorme eflorescência, que já mostrei no blog, e que deu origem a centenas de jovens plantas. Estas plantas, com o crescimento, criam pequenas raízes, preparando-se para enraizar assim que caírem. Acho incrível esta relação entre a planta mãe e as jovens plantas, que só começam a cair quando a mãe morrer, e a seiva deixar de correr, cortando-se, desta forma, o elo "umbilical"...
Estes novos agaves estão prontos para viajar para outras paragens, por isso, se alguém passar pelo Algarve e quiser alguns, é só avisar!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Partilhando mais alguns segredos do Algarve...







O Algarve tem dois parques naturais, que não podiam ser mais diferentes um do outro. O parque natural do sudoeste alentejano e costa vincentina, correspondente às três primeiras fotos, está localizado na costa ocidental do Algarve, e é composto, sobretudo, por enormes falésias de rocha negra, águas em tons de azul escuro e um pouco mais frias do que a costa sul, onde se localiza o segundo parque natural, o da Ria Formosa.
As praias da Ria Formosa caracterizam-se por dezenas de quilómetros de areias finas, e muitas conchas, onde as águas cor de esmeralda são mais quentes e o mar assemelha-se a um enorme lago com pequenas ondas. 
Hoje foi interessante verificar que muitas das plantas que compõem as dunas da Ria Formosa estão em flor,  como é o caso, por exemplo, do belo narciso das areias (Pancratium maritimum).
As primeiras três fotos foram tiradas a norte da praia da Arrifana, e as três últimas na praia da ilha deserta, em Faro. 
Dois destinos agradáveis para férias longe das multidões e em perfeita comunhão com a natureza.

sábado, 21 de julho de 2012

Um paraíso só para nós...









A qualidade de vida, que tenho ao longo do resto do ano, foi uma das principais razões para viver por terras do Sul. Aprendi a aceitar o verão e tudo o que lhe está associado, ruído, stress, falta de espaço, má educação e muita confusão, mas confesso, porém, que por vezes tenho vontade de fugir e voltar em outubro...
A minha sorte é conhecer bem os segredos e os silêncios da região, como esta praia, onde foi possível passar umas boas horas em perfeita comunhão com a natureza, e sem ninguém à volta. Mas, apesar de tanta beleza e do espaço ser idílico para muitos, infelizmente tive a necessidade de apanhar muito do lixo deixado pelos outros, talvez "amantes da natureza", que assim demonstram o seu respeito pela natureza... Que pessoas são estas e onde está a sua educação?
Felizmente, não estou só nesta batalha que é a de tentar limpar esta bela e única costa que temos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

75 belladonas...





Já há algum tempo que tinha vontade de plantar Amaryllis belladona à volta desta figueira do jardim. É bem verdade que estou longe da minha primeira ideia, que era criar um enorme tapete destas flores, mas 75 bolbos já são um bom inicio. A floração destes bolbos ocorre em setembro, e serão as primeiras flores do ano, nesta parte do jardim, quando a figueira já perdeu quase todas as suas folhas.
Mais tarde, e como toda a parte verde destas plantas seca antes do verão, isso permite-me limpar todo o espaço para facilitar o acesso à figueira, para a apanha dos frutos.
Agora resta esperar pelas flores lá para o fim do verão!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Caldas de Monchique e Picota










Eis uma boa alternativa à praia: um dia bem passado em Monchique. Com a intenção de almoçar algures na serra, ontem levei a minha família a dar um passeio nesta frondosa parte do Algarve, coisa rara no verão.
Pela manhã fomos observar algumas borboletas na Picota, um dos sítios mais belos desta serra, onde, nesta altura do ano, é muito fácil encontrar algumas das mais belas borboletas que existem por cá, especialmente duas delas: a borboleta rabo-de-andorinha (Ipliclides podalirius), uma das mais belas, e a borboleta dos medronheiros (Charaxes jasius), a nossa maior borboleta diurna em Portugal. É uma das poucas borboletas que, em vez do pólen de flores, prefere alimentar-se de fruta, sobretudo medronhos e figos.
Esta serra, de origem vulcânica, é ainda conhecida pelas suas fontes de água mineral e termas. Próximo da vila de Monchique, existe também a única pedreira de sienito, de onde é extraída uma rocha ornamental relativamente rara e semelhante ao granito. 
A última foto mostra uma das minhas "brincadeiras" deste verão, feitas num pedaço de sienito de Monchique. Este "passarolítico" foi talhado a partir de uma pedra de calçada, e já me estou a ver a encher o jardim com bandos deles...  ;-)

Deixo aqui uma sugestão: se puderem, façam uma visita ao sítio da Picota, onde poderão encontrar uma das mais interessantes paisagens do Algarve, vão ver que vale a pena!

domingo, 15 de julho de 2012

Algarve subterrâneo










Esta é uma praia/algar que poucos conhecem, sem nome e subterrânea. Acho-a tão bela, que a melhor forma de descrever esta enorme abóbada fruto de uma natureza caprichosa, é comparando-a frequentemente a uma catedral, cujo "criador" está presente diariamente. É um local de emoções fortes e, felizmente, afastado das multidões de turistas que nesta altura do ano acorrem ao Algarve.

sábado, 14 de julho de 2012

Pitanga, uma tentação agridoce




As pitangueiras são arbustos originários do Brasil que produzem frutos de sabor agridoce. Por cá, o fruto ainda é pouco conhecido, mas como o arbusto tem interesse ornamental e é de fácil cultivo, acho que dentro de alguns anos será fácil encontrá-lo nos nossos mercados.
Deixo aqui uma sugestão de fim de semana: geleia e compota de pitanga.
Para fazer a geleia, basta;
300g de pitanga descaroçada, 300g de açúcar, um cálice de licor de limão ou o sumo de um limão e, por fim, alguns cravinhos (esta última especiaria é opcional). Junta-se tudo num tacho e vai ao lume brando a cozer lentamente, mexendo-se de vez em quando, e durante o tempo necessário para apurar (mais ou menos 25minutos). No final basta usar um passador e coar a mistura. Esta geleia pode ser consumida ao natural, mas, para quem gostar, pode acompanhar pratos de carne.  
Para fazer a compota: 300g de pitanga, sem o caroço, e bem triturada na varinha mágica, o mesmo peso de açúcar, e levar ao lume, deixando ferver cerca de 5/8 minutos, mexendo de vez em quando. Esta compota acompanha muito bem, por exemplo, um bom cheesecake.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Angela e Nigel Kilby


É com tristeza e saudade que recordo os muitos momentos partilhados convosco, e todo o apoio que recebi da vossa generosa e calorosa amizade, que se renovava a cada ano que visitavam o Algarve.
Gosto de pensar que um dia os nossos caminhos se cruzaram e que me ajudaram a ver a vida de uma forma diferente.
Obrigado a ambos e até sempre!

Doces lágrimas de uma amiga...






Não foi minha intenção... Mas parece que estas minhas surpresas não são indiferentes aos amigos que as recebem.
Ontem, ao sair de casa, passei junto dos restos de uma árvore candelabro que tinha sido abatida. Imediatamente parei a carrinha e carreguei a pernada maior. Esta Euphorbia ingens, sem o saber, iria fazer parte de um jardim de uma amiga minha. Aliás, essa minha amiga também não!
Com a ajuda do Ludgero, e após o almoço, hora em que a Lena normalmente não está em casa, lá fomos nós, de picareta na mão, plantá-la. Estas plantas pegam muito bem de estaca e são uma boa opção para jardins mais secos.
Parece que este nosso gesto, e sem ser minha intenção, provocou emoção e lágrimas na nossa amiga, o que para mim foi mais do que suficiente para continuar com esta minha necessidade de, com muito pouco, continuar a surpreender os que estão mais próximos, e com quem partilho os meus estados de alma...

No caminho de regresso, ainda houve tempo para fotografar e admirar mais uma belo exemplar de chaminé algarvia, com mais de cem anos, e que foi seguramente o orgulho do proprietário desta pequena casa rural, localizada em Campina, na freguesia de Boliqueime.