sábado, 20 de outubro de 2012

Recanto manuelino






Esta nova "ruína" no jardim da Catita tem, como elemento principal, um vão de porta, criado com algumas cantarias recuperadas de entulhos de obras e que, de acordo com a forma como foram trabalhadas, sabemos que se tratam de cantarias manuelinas, com mais de 500 anos. E terão sido reutilizadas ao longo dos séculos, graças ao seu aspeto robusto. Estamos a falar de umas pedras que sobreviveram ao terramoto de 1755, que arrasou quase por completo tudo o que o homem construiu no Algarve. Estas pedras são verdadeiras viajantes do tempo e representantes de um património muito nosso...
Acho que consegui dar um novo uso e, mais importante, uma nova vida a algo que correu o risco de se perder para sempre. É incrível  pensar em tudo o que desperdiçamos... Será que somos assim tão ricos? Ou será que, só por ser "lixo" gratuito, não tem qualquer valor na sociedade em que vivemos?
Ao usar estes materiais antigos e muitas vezes danificados, consigo facilmente brincar com a ilusão do tempo, em que o resultado final suscita sempre curiosidade, pois tudo parece mais antigo do que é na verdade, isto para não falar na mais valia que esta construção representa num jardim.
Um recente comentário feito ao jardim da Catita, dito por um alemão, veio reforçar este meu tipo de trabalho: "gostava de ser criança outra vez, para poder brincar aqui, este é um espaço com muita fantasia". É claro que fiquei muito feliz, pois não consigo conceber um espaço sem essa mesma fantasia, e que hoje em dia parece não fazer muito sentido.
Felizmente que há por aí outros como eu, com os quais tenho muito orgulho de partilhar uma amizade. Se tiverem tempo, passem pelo blog e vejam o que eles têm andado a fazer.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Finalmente a chuva...








Hoje foi um dia sem Sol, coisa rara por cá... e finalmente parece que a chuva anda no ar!
Quem parece ter adivinhado a chuva foi um pequeno lírio Trimezia martinicensis, pois só agora, e ao fim de dois anos, decidiu florir. Esta planta acompanhou-me na viagem de regresso da Florida, há dois anos. Originário da América central, e habituado a climas bem mais quentes e húmidos, este parece ter gostado do Algarve. Tem dois nomes comuns curiosos, lírio andante ou planta dos apóstolos, pois acredita-se que só à 12ª segunda folha produz uma nova planta na extremidade da mesma que, com o crescimento e ao tornar-se mais pesada, verga e, ao entrar em contacto com a terra, enraíza. Embora tenha uma flor muito pequena, gosto bastante dela.
As fotos seguintes mostram mais algum material que encontrei esta semana. Mais uma vez, tudo foi encontrado em entulhos antigos. Chamo a atenção para os lindíssimos mosaicos hidráulicos e para os "pés" de um baú, entre muitas outras coisas. Ou seja, nada de novo...

domingo, 14 de outubro de 2012

Mais um belo fim de semana de outono






Assim tem sido este outono no Algarve. As muitas centenas de cegonhas do rio Arade e as coloridas buganvílias são um bom indicador das agradáveis temperaturas, e da ausência de chuva das últimas semanas.
Algo interessante no jardim: este ano, e pela primeira vez, a Stapelia da Catita tem tido floração continua desde Março. Como foram plantadas ao longo dum caminho de brita, muitos têm sido os momentos em que imagino que tenho estrelas do mar no jardim, com as suas enormes e espalmadas flores que parecem ganhar movimento sempre que passo...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quase terminado...







É interessante pensar que os elementos mais importantes nesta construção, estavam algures num monte de entulho de uma obra... Pois bem, aqui fica mais uma prova de que até o lixo pode contribuir para um espaço com muita personalidade. 
Quando a intenção é recriar uma ruína, nada melhor do que materiais danificados. Neste caso, o tampo em pedra forrado com azulejos, estando todo partido, fez toda a diferença no projeto, contribuindo em muito para que eu conseguisse recriar este cenário. 
Acho que já aqui o disse, mas volto a repetir: um jardim pode ter centenas de plantas, mas uma pequena construção como esta adicionará alma e nostalgia, para além de toda uma fantasia que eu considero essencial nestes ambientes. 

A agradeço a  todos os amigos que têm deixado comentários e emails. E quero que saibam que as vossas opiniões são importantíssimas para que eu continue a mostrar os meus trabalhos. Infelizmente, e como já devem saber, não sou muito bom a responder...

sábado, 6 de outubro de 2012

Mais umas peças para o "puzzle"







Já o aqui disse: gosto muito de criar/construir cenários e tenho um prazer enorme em reutilizar materiais gratuitos, que vou encontrando no meu caminho.
Achar que a minha felicidade depende disto, talvez seja um exagero, mas sinto que é muito importante para o meu equilíbrio mental... Escusado será dizer que tenho andado nas "nuvens".
Todos os materiais têm sido escolhidos, recolhidos e transportados por mim, por vezes com a ajuda dos meus bons amigos, e, nesta fase do projeto, tudo parece fazer sentido. Para ajudar ainda mais, até parece que a minha hérnia discal parece ter tirado umas férias...
Vou para a cama muito cansado mas feliz, e acordo ao longo da noite com muitas ideias para pôr em prática. Quando sinto este estado de espírito, esqueço todo o resto que existe à minha volta, por vezes, coisas tão simples como almoçar, e, claro, não conheço fim de semana ou feriados... Há que aproveitar todos os momentos e vivê-los como se fossem os últimos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Espelho, espelho meu...







... existe alguma flor mais bela do que eu? Todos os anos, no final do verão, surgem estas maravilhas da natureza, quase que por magia. 
Acho que é um dos pontos altos deste jardim, sobretudo após um longo e seco verão, e por mais fotos que eu tire, não consigo transmitir a emoção que sinto ao vê-las ano após ano. Gosto de pensar que são estas flores que anunciam um novo ano, e o inicio de uma longa primavera por terras do sul... 

P.S. Ainda não me esqueci das sementes que prometi e que só agora começo a enviar...

sábado, 29 de setembro de 2012

Mais dois...




Hoje nasceram mais dois mochos na Catita e já encontraram um belo sítio para viver. Foram acolhidos pelos amigos da Quinta dos Reis, aqui em Alcantarilha. E porque achámos que se assemelham bastante a dois aviadores, até já foram batizados: o grande é o Gago Coutinho, e o pequeno o Sacadura Cabral...!
O mocho maior nasceu de uma pedra que já tinha sido trabalhada por mim há alguns anos. Nessa altura, tinha esculpido um pequeno nicho para pôr uma vela, mas nunca lhe dei o devido uso.
Quem esteve sempre curioso durante o tempo em que andei de volta com as pedras, foi o nosso amigo Cocas, mas sempre próximo do lago, não fosse algum mocho voar e almoçá-lo...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Achados da semana






Tenho andado inspirado e tudo graças aos achados mais recentes, encontrados num monte de entulho. As pedras e os fragmentos de um tampo revestido de azulejos, vão fazer parte da construção que iniciei esta semana. Mas como sou uma pessoa muito volátil, e que depende das emoções diárias, o que de manhã iria  feito de uma forma, à tarde pode já não o ser, o que, para muitos dos meus amigos, é algo talvez difícil de compreender. Por isso, e se não alterar nada do que tenho em mente, acho que o novo recanto, no qual estou a intervir agora, irá ser um espaço com uma atmosfera muito especial. A ver vamos... Uma coisa é certa: os achados desta semana vão ganhar uma vida nova. 
Por falar em achados, também encontrados num entulho há alguns anos, estes estranhamente belos Haemanthus coccineus  que, neste momento, nos presenteiam com as suas flores. Eles também anunciam uma nova estação, e devido à seca prolongada, só agora começaram a florir. 
Hoje comecei também a esculpir mais dois mochos, amanhã ficarão prontos a usar no jardim. A família vai crescendo e o jardim agradece...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A temperatura baixou e o trabalho começou...






As primeiras imagens poderiam ser de uma escavação arqueológica em que, pouco a pouco, vou pondo a descoberto os restos de uma construção romana. Mas não, o jardim voltou ao caos e, mais uma vez, estou de volta à construção do muro. Confesso que já tinha saudades deste trabalho duro e dos meus almoços no jardim...
As fotos seguintes são do mais recente achado, um bizarro tronco de amendoeira, mais um para juntar à coleção do jardim, e que, a meu ver, são excelentes objetos decorativos, com a vantagem  de serem biodegradáveis. 
Assim  vou andando por terras do sul.

domingo, 23 de setembro de 2012

Quando uma flor anuncia uma nova estação...






Basta o verão chegar ao fim, e é vê-las florir no jardim, apesar de este ano isso acontecer mais tarde que o normal, devido à falta de chuva. Claro que falo das Amaryllis belladonna. Este ano reforcei, em muito, o número de bolbos no jardim, algo que desejava fazer há muito tempo.
Ontem foi a vez de fazer o mesmo com uma outra bela planta, também ela prenúncio de uma nova estação, e muito comum nos campos do Algarve. A Scilla peruviana faz parte das nossas plantas endémicas, e os mais cerca de 60 bolbos que plantei vão, orgulhosamente, reforçar em muito os poucos que existiam no jardim. A floração acontece no final do inverno, e as três zonas que plantei não irão deixar ninguém indiferente. Assim o espero...
Nem as belladonnas, nem as nossas peruvianas, gostam de ser incomodadas após a plantação. A única coisa que tenho que fazer, é retirar as folhas secas, e deixar o resto entregue à natureza, coisa que me agrada bastante, pois facilita-me em muito o trabalho que tenho com o jardim.
Os bolbos foram plantados ontem, e hoje já foram regados pela natureza... Em boa hora, parece que a seca chegou ao fim, depois de 6 longos meses de céu azul.