Esta nova "ruína" no jardim da Catita tem, como elemento principal, um vão de porta, criado com algumas cantarias recuperadas de entulhos de obras e que, de acordo com a forma como foram trabalhadas, sabemos que se tratam de cantarias manuelinas, com mais de 500 anos. E terão sido reutilizadas ao longo dos séculos, graças ao seu aspeto robusto. Estamos a falar de umas pedras que sobreviveram ao terramoto de 1755, que arrasou quase por completo tudo o que o homem construiu no Algarve. Estas pedras são verdadeiras viajantes do tempo e representantes de um património muito nosso...
Acho que consegui dar um novo uso e, mais importante, uma nova vida a algo que correu o risco de se perder para sempre. É incrível pensar em tudo o que desperdiçamos... Será que somos assim tão ricos? Ou será que, só por ser "lixo" gratuito, não tem qualquer valor na sociedade em que vivemos?
Ao usar estes materiais antigos e muitas vezes danificados, consigo facilmente brincar com a ilusão do tempo, em que o resultado final suscita sempre curiosidade, pois tudo parece mais antigo do que é na verdade, isto para não falar na mais valia que esta construção representa num jardim.
Um recente comentário feito ao jardim da Catita, dito por um alemão, veio reforçar este meu tipo de trabalho: "gostava de ser criança outra vez, para poder brincar aqui, este é um espaço com muita fantasia". É claro que fiquei muito feliz, pois não consigo conceber um espaço sem essa mesma fantasia, e que hoje em dia parece não fazer muito sentido.
Felizmente que há por aí outros como eu, com os quais tenho muito orgulho de partilhar uma amizade. Se tiverem tempo, passem pelo blog e vejam o que eles têm andado a fazer.