sábado, 31 de março de 2012

Périplo pelo Minho - capítulo I







Por terras do norte, mais concretamente alto Minho, andaram muito bem "perdidos" dois algarvios durante quase uma semana. Esta região do país, é um encanto para os olhos e a alma, e tão diferente do que estou habituado por terras do sul. 
A nossa base foi a bonita cidade de Guimarães, que este ano é capital europeia da cultura e, com um pequeno carro, percorremos uma boa parte da região do verde Minho. Sendo um apaixonado pelos velhos  espigueiros em granito, aproveitei a viagem para visitar os maiores e mais interessantes conjuntos, sendo a pequena povoação do Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, o sitio por excelência onde podemos admirar muitas dezenas destes exemplares.
Estes espigueiros destinavam-se a conservar o milho bem ventilado, após a sua colheita no outono e, ao mesmo tempo, protegê-lo dos ratos. Em algumas aldeias comunitárias, estas construções estão concentradas em redor da eira empedrada, mas o mais frequente é cada casa ter o seu espigueiro. Existem ainda algumas aldeias onde estes estão localizados à entrada da povoação. Um espigueiro cheio de milho era sinal de uma casa abastada, o que, no passado, podia alimentar a inveja e o mau olhado de algum vizinho, e a melhor forma de se proteger passava por colocar cruzes. Infelizmente muitas delas já desapareceram.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Perfumes do jardim




Se há momento do ano em que o jardim mais parece uma loja de perfumes, é este. Percorrê-lo de olhos fechados é, sem dúvida, algo que aconselho. As fragrâncias doces das frésias, jasmins, glicínias e flor de laranjeira, surgem em cada recanto do jardim da Catita, atraindo-nos a elas quase como se fossemos abelhas.  E como gosto de me sentir atraído por elas...    
São a melhor vizinhança que poderia ter durante a construção que está em curso no jardim.

sábado, 24 de março de 2012

Mais três fantásticas autóctones no jardim



Estas são mais três das plantas silvestres que compõem  o jardim, e que estão em plena floração. A primeira, acho que dispensa apresentações, é a nossa bela e aromática esteva (Cistus ladanifer maculatus) com a sua floração efémera, muito intensa no período da manhã e, à tarde, um tapete de pétalas no chão. 
A flor central é, talvez, uma das mais belas que crescem por cá, conhecida como albarrã do Perú (Scilla peruviana), muito comum aqui no Sul, onde é conhecida por coroa de Cristo. Em Sintra, a minha avó chamava-lhe chapéu de bruxa. É estranho como um país tão pequeno atribui nomes tão diferentes.
Por fim, temos uma trepadeira com folhas em forma de coração, muito comum no Algarve, e conhecida como candeias ou erva cavalinha, a Aristolochia baetica. Mais três belas sugestões da natureza que temos, e perfeitas para jardins de baixa manutenção, com a vantagem de sobreviverem apenas com a água da chuva, quando a há! 
Bom fim de semana   

quinta-feira, 22 de março de 2012

Mocho, mochinho no jardim


Aqui está uma prova do velho ditado que diz que "filho de peixe sabe nadar"! 
Sou a última geração com ligação ao corte e lapidação de rochas ornamentais e, no meu caso, a aprendizagem foi quase natural.
O meu pai, sendo um industrial do ramo, ao qual dedicou uma vida, estaria certamente à altura deste desafio que lhe coloquei. Como gosto de mochos, pedi-lhe que me fizesse um em pedra, para decorar o jardim da Catita. Seria a primeira vez que ele esculpiria algo do género, mas, para quem, como ele, sempre foi perfecionista na sua profissão, além de conhecedor da arte, não lhe seria complicado fazer um. Pegando num pedaço de pedra, e após algumas horas, eis o primeiro de muitos, assim espero. 
Agora tenho um problema: para além do valor sentimental que lhe dou, não consigo encontrar um nicho ou um sítio apropriado para o colocar, pois parece ficar bem em qualquer lugar onde o coloco! Penso que vou usá-lo, ao longo do ano,  para decorar vários sítios no jardim. Serei, assim, as asas que este mocho em pedra não tem.
Claro que os louros, desta vez, são para o meu pai, e venham mais, pois este mocho parece estar muito só... ;-)

terça-feira, 20 de março de 2012

A pedra







Para comemorar a chegada da primavera, esculpi mais uma pedra em grés vermelho de Silves. Estas folhas são como que a assinatura dos meus projetos. Estrategicamente colocada no início da futura escada do jardim, será a pedra mais importante, e a que irá cativar mais olhares e curiosidade. Ainda não tinha terminado de esculpir esta pesada pedra, e já sonhávamos com todo um muro rematado com pedras iguais a ela. Tive necessidade de pôr um travão à nossa imaginação, mas confesso ter gostado da ideia...     

segunda-feira, 19 de março de 2012

As nossas plantas autóctones e as suas belas flores



Quando paramos para olhar com atenção as flores que crescem nos nossos campos, descobrimos verdadeiras preciosidades, dignas de ocupar um lugar de destaque nos melhores jardins botânicos do mundo. Eis três belos exemplos disso. No conjunto, a primeira foto é da nossa bela fritilária (fritillaria lusitanica) e de duas das muitas orquídeas que crescem em estado silvestre, na bacia do Mediterrâneo. Algumas imitam insectos, semelhantes aos que as polinizam, como é o caso da orquídea da direita, e que pertence a uma ophrys speculum.
Merecendo, sem dúvida, um olhar mais atento, o que diriam em relação à flor do centro? Em algumas regiões do pais, é conhecida como a "flor do enforcado", noutras como "flor dos rapazinhos" ou ainda "dos macaquinhos". Cientificamente é conhecida como orchis italica. Esta pequena flor, com aspeto humano e de "pirilau ao léu" (basta olhar com atenção para a foto em pormenor, de uma outra planta...), deixou um grupo de canadianos com um sorriso na cara, durante a visita que fizeram hoje ao jardim da Catita.
Estas são mais algumas das nossas plantas que o jardim orgulhosamente gosta de exibir a quem o visita.  

A todos os amigos deste blog que tem deixado comentários (e a quem eu raramente respondo...), gostaria de oferecer simbolicamente a última foto, que é de mais uma oratório encontrado numa ruína, símbolo talvez de uma religiosidade e tradição já desaparecidas, e que tento fotografar sempre que possível. Quero que saibam que as vossas opiniões são muito importantes para a minha autoestima e futuro deste blog.

Bem haja a todos

sábado, 17 de março de 2012

E assim vai a construção...







Mais um nicho que irá iluminar uma escada mais tarde, mais umas curvas e muitas, muitas plantas, basicamente, mais do mesmo. São algumas das "novidades" desta semana no jardim do Ludgero. 
Com as temperaturas dos últimos dias, já começo a ter alguma dificuldade em manter o mesmo ritmo de trabalho. A minha sorte é existir sempre uma cerveja fresca lá por casa ;-)
Gostava de partilhar o método de construção que uso para criar um nicho, sendo esta a forma mais rápida para o fazer. Basta usar um suporte, neste caso uma velha lata de tinta, uma tábua e, sobre esta, areia húmida e moldada, onde serão apoiadas as pedras do arco. Depois, é só esperar que esta argamassa seque, e retira-se a estrutura de apoio.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Alguns pedaços do meu nenúfar procuram novo lago...



Esta semana fiz uma limpeza no lago da Catita, com a intenção de reduzir o tamanho do nenúfar. Tenho 3 pedaços com raiz para oferta a alguém que tenha interesse neste tipo de planta, bastando, para isso, mandar um email para combinar.

terça-feira, 13 de março de 2012

Rapazinhos e cucas


Orgulhosamente mostro as três flores silvestres que alegram a Catita, e que me deixam encantado. Em Sintra, aprendi a chamar estas orquídeas do campo de "rapazinhos" e, na altura, estava longe de saber que se tratavam de orquídeas, com nomes científicos como ophrys luten (esquerda) e bombyliflora (direita). A foto do meio, é a nossa bela rosa albardeira (paeonia broteroi), também conhecida por "cuca". Este ano é a primeira vez que dá flor, e que flor! Por vezes, sinto-me ridículo quando fico feliz, e com um sorriso na cara, com estes pequenos encantos no jardim, mas sei que é algo de muito individual e difícil de partilhar.
Penso que este ano, com a ausência de chuva, as irmãs destas plantas, que crescem em estado selvagem,  vão estar adormecidas.
Confesso que seria difícil, e uma grande preocupação para mim, confiar o jardim a alguém, mesmo que tivesse boas intenções, pois estas beldades requerem cuidados muito específicos. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

29 km no reino das aromáticas...










... guardado por alguns sobreiros gigantes. Isto foi o que nos esperava, ao longo de todo este troço da Via Algarviana (entre as povoações de Cachopo e Barranco do Velho), em que muitas foram as subidas, e desejadas as descidas, por entre "florestas" de urzes de flor branca, com os seus enormes troncos, viburnos, medronheiros, etc., e paisagens a perder de vista, numa serra conhecida como a do Caldeirão. A rica e abundante flora silvestre, rica em plantas aromáticas, e arbustos resistentes à seca, verdadeiras lições para qualquer projeto de jardins de baixa manutenção. Por vezes não sabemos o que plantar no jardim, e ao longo destes 29 km não faltaram belas sugestões.
Ainda houve tempo para dar um mergulho numa das ribeiras de águas cristalinas, almoçar junto a uma cascata, e brincar com algumas pedras, perder-me e sentir o isolamento em que o único "ruído" era das muitas abelhas que, atarefadamente, colhiam o pólen.
Hoje, olhando para as fotos, tenho vontade de repetir esta caminhada com mais tempo. Foi, a meu ver, um dos mais belos percursos da Via feitos até ao momento.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cansado, mas feliz com o que foi feito.







Uma das consequências da construção do muro no jardim, foi uma enorme quantidade de terra proveniente das fundações do mesmo. Toda a terra foi utilizada para subir o nível de um dos caminhos do jardim. Foram muitos carros de mão, escada acima, escada abaixo, o que tornou a tarefa algo difícil, para além de deslocar igualmente pedras e plantas. Uma das coisas que gosto nas plantas suculentas, passa pela facilidade com que são transplantadas. É bem verdade que, se há coisa que este jardim não é, é o ser permanente e estático, pois o movimento de pedras e plantas é uma constante. Como as plantas foram plantadas nas próprias pedras, bastou pegar nas pedras e deslocá-las para junto deste caminho... As pedras de mármore branco, e que servem de "stepping stones", contrastam bem com o aspeto rústico do jardim, e usadas ao longo do caminho, são um convite para o percorrer.
O que importa, é que hoje este caminho ficou terminado, e consegui "arrumar" muitas coisas que estavam fora de sítio. 

Este domingo, a caminhada na Via Algarviana entre as povoações de Cachopo e Barranco do Velho, é de 29 km, alguém interessado?
Bom fim de semana 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Reboco inspirado pelas falésias algarvias









Gosto muito das falésias no Algarve, e uma das razão está relacionada com a sua cor. Sempre que posso, gosto de rebocar uma ou outra parede com um reboco que, não só é muito semelhante à rocha amarela da costa, como abdica de pintura, coisa que tento sempre evitar de fazer. Pois bem, a solução é simples: basta fazer uma argamassa de areia amarela e cimento branco (uma parte de cimento, para cinco de areia). Fácil, rápido e barato. Fica aqui a dica...
Uma outra sugestão tem a ver com plantas, e mais concretamente com as nossas estevas. Belas flores, aromáticas e de baixa manutenção, razões mais do que suficientes para fazerem parte dos nossos jardins. Nos últimos dias, no período da manhã, elas tem estado muito floridas e cheias de abelhas, simplesmente fantásticas.