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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ontem, "a penantes", lá fizemos mais 20 km da Via Algarviana







Aqui estão mais umas belas imagens do tal Algarve, que poucos conhecem, e onde somos constantemente presenteados com a simplicidade humana e a vastidão da paisagem. Ao longo dos 20 km, passamos por algumas pequenas localidades, onde a simpatia dos seus poucos habitantes nos deixa a vontade de voltar a percorrer esta via.
Como sempre, estas fotos estão muito longe de transmitir a realidade destas populações perdidas no espaço, e por vezes até no tempo, e que aos olhos dos "urbanos consumistas" não fazem qualquer sentido. Embora acredite que estas gentes, com muito pouco, facilmente poderiam dar preciosas lições de simplicidade: apesar da vida dura associada a esta forma de viver, ou melhor, sobreviver, são felizes, e muitos de nós que, tudo tendo, vivemos, muitas vezes, miseravelmente infelizes...    

Mas uma vez, não me arrependo de um único km caminhado. Bem haja  à organização.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pedra, suor e sangue, o Algarve de outros tempos...








A minha ligação familiar ao trabalho com pedra, faz com que tenha um imenso respeito por tudo e todos que, no passado, tiravam desta atividade o seu sustento.
Por todo o Mediterrâneo, são comuns estes cenários rurais, em que o Homem precisou de arrancar pedra à terra, para mais tarde semear e matar a fome. Isto, claro, à custa de um tremendo esforço físico que, nos dias de hoje, e com todo o tipo de máquinas existentes, tudo parece muito primitivo. A verdade é que só passaram algumas dezenas de anos, e ainda encontramos pessoas que se recordam desta realidade. No outro dia, falando com um amigo, ele dizia-me que era normal contratar grupos de homens para, durante meses, procederem ao arranque de pedras, e assim transformar um mato rochoso em terra produtiva. Muitas vezes, estes homens tinham de estar no dito terreno antes do nascer do Sol, e isso obrigava a percorrer longas distâncias a pé, durante a noite, e, claro, como o trabalho era de Sol a Sol, o regresso a casa era feito igualmente durante a noite.
Ao longo dos séculos, este gigantesco esforço humano, não só alterou a paisagem, como permitiu a sobrevivência da população algarvia. E note-se, por exemplo, o cuidado e respeito pelas árvores, num tempo em que as construções deviam contorná-las, pois era delas que vinha o "pão"...
Por tudo isto, gostava hoje de partilhar alguns exemplos de mega-construções, feitas com pedras soltas, em que o único objetivo foi tornar a terra arável. Estas impressionáveis construções têm, por vezes, vários metros de altura e de largura, por muitos de comprimento, e estão localizados no interior das propriedades agrícolas, e são verdadeiros monumentos ao povo algarvio.  
Sou nostálgico, mas não ao ponto de desejar voltar a esta realidade... mas não posso deixar de registar o meu respeito e admiração.